Previsão de El Niño intenso preocupa apicultores catarinenses, que esperam redução na produção durante os principais períodos de colheita

As chuvas frequentes provocadas pelo El Niño prejudicam o trabalho das abelhas, que não conseguem coletar o néctar e o pólen das flores em função da umidade. Como a previsão é que se intensifiquem a partir de outubro, a expectativa do apicultor lageano, Alceu Perão, é que não haja safra de mel neste ano, causando um enorme prejuízo para toda a cadeia apícola catarinense.

Com 43 anos de atividade e colecionando títulos e certificações importantes, Alceu tornou-se referência nacional na produção de mel, mantendo áreas com Colmeias em Lages e em outros municípios da Serra Catarinense. Ele recorda que a safra de 2024 foi ruim, também devido aos impactos do clima. Mas essa, infelizmente, deve ser ainda pior.

Para Alceu, o El Niño deve prejudicar o agronegócio de forma global. Neste contexto, a apicultura é muito afetada. A cada dia de chuva, as abelhas consomem alimentos resultantes de dois dias de atividades no campo. Ou seja, para cada dia de chuva elas consomem dois dias de reservas de alimentos estocados nas Colmeias. São dois dias de atraso na produção de mel.

Ela é obrigada a coletar o pólen, que é a proteína, e o néctar, que é o energético. As chuvas lavam as flores, retirando o pólen e o néctar. Por mais que chova e abra o sol, ficando um pouco de água nas flores, elas não conseguem coletar. Alceu Perão

Para amenizar a situação, os apicultores devem alimentar as abelhas. Perão comenta que já comprou grande quantidade de açúcar. “Usamos o açúcar VHP, que é um açúcar primário, especial para as abelhas. Também damos o extrato de soja. Chamamos de bife proteico a mistura de extrato de soja, açúcar e mel. Esse alimento permite alimentar as abelhas na fase crítica da chuva. Se chover por uns cinco dias e o apicultor não alimentar as abelhas, elas morrem de fome dentro das Colmeias, lamenta Alceu.”

Quantidade e qualidade

Para se ter uma colheita boa, Perão explica que é necessário um inverno forte e rigoroso. O deste ano está dentro desta característica, mas as chuvas estão acabando com o potencial de produção.

A principal colheita ocorre entre os meses de outubro e novembro, período previsto para um El Niño intenso. Em Janeiro ocorre uma safra menor, chamada de safrinha, por ser muito curta. Mas, se chover o previsto, não haverá colheita. “Se as abelhas começam a consumir a reserva, quando o tempo melhorar elas precisam recuperar a produção que elas tinham e com sobra, para que o apicultor possa coletar.”

Questionado, Perão explica que a qualidade do mel é mantida, mesmo quando a quantidade está menor. Porque a abelha coleta o néctar e desidrata esse néctar para ficar entre 17% e 20% de umidade, faixa considerada ideal para um mel de qualidade.

Principais impactos, segundo a Epagri

Danos à floração: Temporais e chuvas excessivas derrubam e danificam as flores, reduzindo drasticamente o néctar disponível para as abelhas.
Mortalidade de abelhas: O excesso de umidade e o frio associado a tempestades dificultam os voos de pepeca/coleta e matam insetos polinizadores.

Consumo de reservas: Sem conseguir forragear, as abelhas consomem o mel armazenado na própria colmeia apenas para sobreviver.
Gastos extras para o apicultor: Produtores precisam realizar o trato alimentar artificial (alimentar os enxames com xarope ou suplementos) para evitar a morte das colônias.
Quebra de safra e alta de preços: A redução expressiva na colheita (que pode passar de 70% em anos de forte intensidade do fenômeno no Sul) encolhe os estoques e pressiona os preços do mel para o consumidor final.

Com números impressionantes, o estado de Santa Catarina é o principal produtor de mel no país, com uma produtividade que supera em muito a média nacional. Cerca de 6.824 produtores rurais mantêm 315 mil Colmeias ativas, resultando em um volume anual de 6.500 a 8.500 toneladas de mel. Além disso, o mel melato da bracatinga possui indicação geográfica, conferindo-lhe um valor único no mercado.

Este estudo detalha o impressionante potencial de crescimento do mercado apícola em Santa Catarina e as oportunidades promissoras que oferece aos empreendedores locais. Líder nacional na produção de mel: Santa Catarina destaca-se como o principal produtor de mel no Brasil, com uma produtividade notável de 68 kg/km², superando significativamente a média nacional de 4,8 kg/km².


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