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Mesmo com a queda no início desta segunda-feira, o dólar acumula valorização de aproximadamente 2,5% em agosto. (Fotos: Portal do Agronegócio)
Moeda recua com Ptax, pesquisas eleitorais e fraqueza externa do dólar no radar
O dólar iniciou a última sessão de agosto em baixa no mercado brasileiro, acompanhando o recuo da moeda americana no exterior e a reação dos investidores às pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira. Por volta das 9h38, a divisa à vista caía 0,43%, negociada a R$ 5,1738 para venda, depois de ter tocado a faixa de R$ 5,16 mais cedo.
Na B3, os contratos futuros também operavam no vermelho, com os vencimentos de setembro e outubro em leve queda. O movimento devolve parte da alta registrada na véspera, mas não altera o fato de que a moeda ainda acumula valorização em agosto, embora siga em baixa no acumulado de 2026 frente ao real.
A sessão desta segunda-feira é decisiva para a formação da Ptax de fim de mês, taxa de referência calculada pelo Banco Central a partir das cotações do mercado à vista. Por ter influência na liquidação de contratos futuros e derivativos, esse período costuma concentrar maior disputa entre agentes posicionados para alta ou queda do dólar.
Além disso, as novas pesquisas eleitorais entraram no preço dos ativos. Os levantamentos mostram uma disputa apertada em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o que foi interpretado por parte do mercado como fator favorável ao real. A leitura, porém, pode mudar rapidamente conforme saiam novos dados e sinais sobre a política econômica.
O cenário fiscal continua no centro das atenções. Investidores acompanham os compromissos ligados ao Orçamento de 2027 e a trajetória da dívida pública, que alcançou 82,5% do PIB em julho, no maior nível em cinco anos. O avanço do endividamento amplia as dúvidas sobre a capacidade do governo de estabilizar as contas públicas.
Um quadro fiscal mais frágil tende a pressionar o dólar e os juros futuros, além de elevar o custo do crédito no país. Para o agronegócio, a oscilação cambial impacta diretamente o preço de fertilizantes, defensivos e máquinas importadas, ao mesmo tempo em que interfere na competitividade das exportações de grãos, café, açúcar, algodão e carnes.
No exterior, a semana começou com tensão no Oriente Médio após a escalada militar entre Estados Unidos e Irã. O Brent chegou a superar US$ 90 por barril e avançou mais de 6% durante o pregão, reforçando o ambiente de cautela nos mercados internacionais.
Apesar do aumento da aversão ao risco, a alta do petróleo pode dar algum suporte ao real ao melhorar os termos de troca do Brasil e beneficiar exportadoras da commodity. Em contrapartida, o barril mais caro também pressiona diesel, fretes e inflação, além de elevar o custo de insumos dependentes de energia.
Enquanto o câmbio oscila, o Ibovespa tenta manter a sequência de recuperação. Na sexta-feira, o índice avançou e reduziu as perdas de agosto, acumulando ganho expressivo no ano. Nesta segunda, o Ibovespa futuro abriu em alta, apoiado principalmente pelo petróleo e pelas perspectivas de avanço das ações da Petrobras.
O mercado também acompanha o Boletim Focus, os dados fiscais e as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Para o produtor rural e para empresas expostas ao comércio exterior, o ambiente combina oportunidades e riscos, tornando o acompanhamento do câmbio essencial para decisões de compra, venda e proteção financeira.
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