Competitividade nos postos, mistura maior na gasolina e apoio aprovado pelo Congresso ajudam na recuperação

O etanol hidratado voltou a se aproximar de R$ 2,20 por litro ao produtor na primeira quinzena de agosto. A recuperação reflete a valorização do açúcar, o fortalecimento do real e a expectativa de aumento do consumo no mercado brasileiro, de acordo com o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA.

A melhora ocorre após um período de pressão sobre as cotações e em um momento em que o setor ainda precisa lidar com oferta elevada. Para que os preços ganhem sustentação, será necessário que a demanda avance de forma consistente e ajude a reduzir os estoques acumulados nas usinas e distribuidoras.

A expectativa do Itaú BBA é de que a procura por etanol cresça a partir de agosto, favorecida pela vantagem econômica do biocombustível e pelo maior número de dias úteis para comercialização. Em São Paulo, a paridade média entre etanol e gasolina permanece abaixo de 60% desde o início de junho, um patamar que amplia a atratividade do abastecimento com o biocombustível para veículos flex.

Em termos gerais, o etanol costuma ser competitivo quando seu preço representa até 70% do valor da gasolina, embora essa relação varie conforme a eficiência de cada veículo. A vantagem não se limita ao mercado paulista: hoje o combustível mostra maior competitividade em dez estados, que juntos respondem por cerca de dois terços da demanda brasileira por combustíveis leves.

Outro fator que reforça o consumo é o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 30% para 32% em 1º de agosto. A mudança eleva estruturalmente a demanda pelo biocombustível, independentemente da decisão do motorista no abastecimento, e dá suporte adicional às usinas em meio à pressão sobre os estoques.

O etanol hidratado é vendido diretamente nos postos para veículos flex, enquanto o anidro é misturado obrigatoriamente à gasolina. Na avaliação do mercado, a combinação entre maior procura pelo hidratado e o avanço da mistura será decisiva para o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.

O Congresso Nacional aprovou em 12 de agosto o Projeto de Lei Complementar nº 114/2026, que prevê subvenção de até R$ 1,2 bilhão para o etanol. A medida busca aliviar perdas em um cenário de custos financeiros altos, estoques expressivos e dificuldades para ampliar as exportações.

Mesmo com esse apoio, o principal desafio continua sendo a necessidade de absorver aproximadamente 2 bilhões de litros por mês para evitar o crescimento dos estoques de passagem. Se o consumo não avançar no ritmo esperado, a oferta elevada pode limitar novas altas de preço.

O ambiente externo também impõe restrições ao setor. Desde 22 de julho, o etanol brasileiro enfrenta tarifa de 37,5% nos Estados Unidos, o que reduz a competitividade do produto no mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, o avanço das exportações dos Estados Unidos para outros destinos amplia a concorrência internacional.

Com menos espaço para vender fora do país, o mercado doméstico ganha importância ainda maior. Para o Itaú BBA, a recuperação só será consolidada se a maior competitividade do etanol se converter em consumo efetivo, acelerando a absorção dos estoques e melhorando o equilíbrio do setor ao longo dos próximos meses.

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