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O Brasil consolidou-se como principal polo de inovação tecnológica para o agronegócio na América Latina e no Caribe. (Fotos: Portal do Agronegócio)
Estudo da Embrapa e do IICA revela avanço das agtechs, enquanto logística, tributação e administração seguem como gargalos do setor
O Brasil se consolidou como o principal polo de inovação tecnológica para o agronegócio na América Latina e no Caribe. Dos 2.656 negócios agtech identificados em 23 países, 2.075 estão no território brasileiro, o que representa 78% do total. Os dados são da primeira edição do Radar AgTech LAC, estudo coordenado pela Embrapa em parceria com o IICA.
O levantamento mostra um ecossistema mais maduro, com soluções voltadas para agricultura de precisão, inteligência artificial, automação, sensoriamento remoto, monitoramento de lavouras e rastreabilidade. Ainda assim, a transformação digital avança de forma desigual entre as cadeias produtivas e deixa áreas estratégicas da gestão em segundo plano.
As cooperativas exercem funções que vão da origem da produção rural à industrialização e à venda no mercado interno e externo. Para isso, precisam integrar informações comerciais, fiscais, contábeis, logísticas e produtivas em tempo real, algo que nem sempre acontece com ferramentas criadas para empresas convencionais.
Segundo Luis Carlos Crema, CEO da SOLTERRA Soluções Inteligentes, a inovação avançou mais rápido dentro das propriedades do que nas estruturas administrativas das cooperativas. A falta de plataformas desenhadas para as particularidades do cooperativismo dificulta o cruzamento de dados, o acompanhamento financeiro e a apuração tributária.
O grupo de Alimentação e bebidas é central para receber, beneficiar, industrializar e comercializar a matéria-prima dos associados. Cadeias como carnes, açúcar, etanol, soja, sucos, leite e café exigem controle rigoroso de origem, qualidade, estoque, custos e rastreabilidade para evitar inconsistências fiscais e perdas operacionais.
Já o grupo Transportes é decisivo para a movimentação de grãos, carnes, leite, frutas, café e insumos. Sem integração entre frota, cargas, estoque, faturamento e comercialização, aumentam os atrasos, os desperdícios, o custo do frete e o risco de perda de qualidade, especialmente em produtos perecíveis.
São Paulo e a reforma tributária pressionam por modernização
O peso econômico do agro paulista ajuda a explicar a urgência dessa mudança. Segundo o Cepea/Esalq-USP, o agronegócio de São Paulo respondeu por 24% do PIB do agronegócio brasileiro em 2024 e por 18,9% da economia estadual, além de liderar as exportações agrícolas do país.
A reforma tributária amplia essa pressão. A partir de 2027, PIS e Cofins serão substituídos pela CBS, e produtores rurais com faturamento anual acima de R$ 3,6 milhões por CPF passarão a ser contribuintes obrigatórios. O ano de 2026 tende a ser decisivo para revisar cadastros, integrar sistemas e corrigir falhas antes das novas exigências.
A liderança brasileira em agtechs mostra capacidade de inovar em escala, mas o próximo passo é ampliar essa transformação para as áreas menos atendidas do setor. A integração entre dados fiscais, contábeis, produtivos e logísticos será fundamental para aumentar eficiência, controlar custos e preparar cooperativas e produtores para o novo ambiente tributário.
Com maior exigência por rastreabilidade e mercado cada vez mais digitalizado, as organizações que iniciarem a modernização em 2026 tendem a chegar mais preparadas para 2027. A tendência é que a competitividade no agro dependa não apenas da tecnologia no campo, mas também da inteligência de gestão ao longo de toda a cadeia.
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