-
Em um momento de profunda reorganização das cadeias produtivas globais, o Brasil e a Índia se mobilizam para fortalecer a integração econômica, que ganhou força na última década. (Fotos: Gabriel Pinheiro / CNI)
Encontro na CNI destacou oportunidades em setores estratégicos e pressiona por mudanças no acordo comercial entre os dois países
Em meio à reorganização das cadeias produtivas globais, Brasil e Índia buscam aprofundar a integração econômica que vem ganhando ritmo ao longo da última década. O tema foi debatido na India-Brazil High-Level Business Reception, realizada na CNI, com participação de autoridades e líderes empresariais dos dois países.
O encontro teve como foco oportunidades de cooperação, atração de investimentos e facilitação do comércio. A reunião contou com representantes do governo brasileiro e indiano, além de entidades como CNI, CII e ApexBrasil.
Segundo análise divulgada pela CNI, a corrente de comércio entre Brasil e Índia passou de US$ 5,6 bilhões em 2016 para US$ 15,2 bilhões em 2025. Apesar da expansão expressiva, o avanço foi mais forte para as importações brasileiras, o que mantém o Brasil em déficit com o parceiro asiático desde 2019.
As exportações brasileiras para a Índia cresceram 117,2% no período, chegando a US$ 6,9 bilhões em 2025. Já as importações vindas do mercado indiano avançaram 236%, totalizando US$ 8,3 bilhões. Para a CNI, o desafio não é apenas ampliar o volume, mas também diversificar a pauta comercial.
Governo e indústria defendem a modernização do Acordo de Preferência Tarifária Mercosul-Índia. Hoje, o tratado cobre apenas 452 linhas tarifárias de um universo de 9 mil, o que é considerado insuficiente diante do tamanho das duas economias.
Entre as prioridades apresentadas estão a redução de barreiras tarifárias, a simplificação de procedimentos aduaneiros, a ampliação da cooperação regulatória e a digitalização dos fluxos de comércio. A CNI também quer levar essas pautas à Cúpula dos BRICS, em setembro.
De acordo com a análise da entidade, a indústria de transformação brasileira tem 377 oportunidades comerciais de exportação para o mercado indiano, distribuídas em 19 setores. A seleção considera competitividade internacional e complementaridade com a demanda da Índia.
As autoridades apontam espaço para ampliar negócios além de commodities tradicionais, com foco em áreas como aeroespacial, engenharia, equipamentos médicos, tecnologia, biocombustíveis, hidrogênio verde e minerais críticos. A expectativa é que a parceria avance com base em investimento, inovação, integração e impacto.
No encontro, Embraer e WEG destacaram exemplos de integração produtiva em curso. A fabricante de aeronaves citou parceria com um conglomerado indiano e a abertura de escritório local para transferência de tecnologia, enquanto a WEG lembrou sua produção no país asiático há 15 anos.
Do lado indiano, representantes como a UPL Limited e autoridades do governo reforçaram que a complementaridade entre as economias pode gerar cadeias de suprimentos em parceria. Para ambos os lados, a relação bilateral depende de investimentos de longo prazo e de uma agenda mais prática e orientada a resultados.
Tags
- Acordo
- Apex
- ApexBrasil
- Barreiras comerciais
- brasi
- brasil
- Brics
- cadeias produtivas
- CNI
- comércio exterior
- exportações
- Índia
- indústria
- Investimentos
- Mercosul