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Segundo a pesquisa, empresários de apenas quatro segmentos estão otimistas. (Fotos: Shutterstock)
A CNI mostra que a falta de confiança continua espalhada por setores, regiões e portes de empresas, com poucas exceções positivas
O pessimismo continua predominando entre os empresários da indústria brasileira. Em agosto, 25 dos 29 setores pesquisados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentaram falta de confiança, segundo os Resultados Setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgados na quarta-feira (26).
Apesar de o número de setores pessimistas ter recuado de 26 para 25 em relação a julho, apenas quatro segmentos registraram confiança dos empresários no período.
A avaliação da CNI é de que a falta de confiança permanece disseminada entre os diferentes setores, portes de empresas e regiões do país. “A pesquisa reforça esse estado de falta de confiança para o recorte setorial, os portes e as regiões do país. O Índice de Confiança, como um todo, avançou na passagem de julho para agosto de 2026, mas segue mostrando um estado de pessimismo há 20 meses consecutivos”, explica Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI.
Na comparação com julho, o ICEI recuou em 16 dos 29 setores industriais analisados. Em um desses segmentos, perfumaria, limpeza e higiene pessoal, a queda foi suficiente para levar o indicador para abaixo dos 50 pontos, linha que separa a confiança do pessimismo.
Por outro lado, o índice avançou em 13 setores. Em dois deles, a alta foi suficiente para mudar o cenário: impressão e reprodução e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos ultrapassaram a marca de 50 pontos e passaram a registrar confiança dos empresários.
Entre as regiões brasileiras, o Centro-Oeste voltou a apresentar falta de confiança em agosto. O ICEI regional caiu 0,5 ponto e fechou o mês em 49,9 pontos. Com o resultado, os empresários do Centro-Oeste se juntaram aos industriais das regiões Sul, Sudeste e Norte, que também apresentaram indicadores abaixo da linha de 50 pontos.
No Sul, o índice recuou 1,7 ponto, para 42,8 pontos, aprofundando o pessimismo entre os empresários. No Sudeste, houve uma alta de 0,6 ponto, levando o indicador a 46,3 pontos. Apesar do avanço, o resultado permaneceu abaixo da linha que indica confiança. Já no Norte, o ICEI caiu 0,6 ponto e chegou a 48 pontos, indicando uma piora na percepção dos empresários. O Nordeste foi a única região a registrar otimismo. O indicador avançou 0,3 ponto, alcançando 51,1 pontos.
O levantamento também mostra uma piora na confiança entre os empresários das médias e grandes indústrias. Entre as empresas de médio porte, o ICEI caiu 0,3 ponto, para 46 pontos. Nas grandes indústrias, a queda foi de 0,4 ponto, levando o indicador a 47,6 pontos.
Segundo Larissa Nocko, o resultado pode estar relacionado aos impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. “Isso pode estar relacionado à imposição das tarifas adicionais por parte dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, impactando as empresas exportadoras”, afirma a especialista da CNI.
Entre as pequenas empresas, o cenário apresentou uma leve melhora. O índice subiu 0,6 ponto, chegando a 46,8 pontos. Apesar do avanço, o indicador continua abaixo dos 50 pontos, sinalizando falta de confiança.
O ICEI Setorial de agosto foi elaborado a partir das respostas de 1.710 empresas industriais, sendo:
696 pequenas empresas;
617 médias empresas;
397 grandes empresas.
A coleta das informações foi realizada entre 3 e 12 de agosto de 2026. O ICEI varia em uma escala de 0 a 100 pontos. Resultados acima de 50 pontos indicam confiança dos empresários, enquanto valores abaixo dessa marca representam falta de confiança.
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