Comércio, serviços e exportações sustentam a atividade, mas juros altos e endividamento freiam a retomada em alguns setores

A economia de Santa Catarina fechou o primeiro semestre de 2026 com expansão de 1,56%, de acordo com o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-SC). O desempenho ficou levemente acima da média do país, que avançou 1,52% no mesmo período, reforçando a resiliência do estado em um ambiente de juros elevados e crédito mais restrito.

Considerado uma prévia do PIB, o indicador mostra que o ritmo de atividade segue positivo, embora em desaceleração em relação aos anos anteriores. A análise da FIESC aponta que comércio e serviços foram os principais responsáveis pelo resultado, sustentados pelo aumento da renda das famílias catarinenses.

O crescimento da massa salarial tem sido o principal impulso da economia local. Em junho de 2026, a renda total do trabalho em Santa Catarina subiu 7,16% no acumulado de quatro trimestres, acima dos 5,20% observados no Brasil, refletindo a criação de vagas e o ganho real dos salários.

Segundo a FIESC, o consumo também recebeu apoio de fatores nacionais, como a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil e o reajuste do salário mínimo. Ainda assim, o avanço enfrenta limitações impostas pelo crédito caro e pelo endividamento de famílias e empresas, o que tende a frear a compra de bens duráveis nos próximos meses.

Apesar da recuperação no segundo trimestre, a atividade industrial avançou em ritmo mais lento do que o esperado. Para a FIESC, o cenário foi afetado pelos juros altos, pela restrição ao crédito e pelas tarifas comerciais dos Estados Unidos, que pressionaram exportações catarinenses em segmentos específicos.

Mesmo com esses obstáculos, a projeção da entidade para 2026 segue positiva. A estimativa é de crescimento de 2,1% para a economia catarinense no ano, abaixo dos resultados de 2024 e 2025, mas ainda indicando continuidade da expansão.

No comércio exterior, Santa Catarina registrou alta de 4,3% nas exportações no semestre, totalizando US$ 6,13 bilhões. A União Europeia se consolidou como principal destino, com US$ 751 milhões e crescimento de 11,5%.

Outros mercados também tiveram forte avanço, como Japão, Coreia do Sul, México e China. Esse desempenho ajudou a compensar a queda de 31,3% nas vendas para os Estados Unidos, mostrando maior diversificação dos destinos e apoio adicional ao resultado da economia estadual.

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