A alta aprovada pela ANEEL pressiona o setor produtivo catarinense e, em dois anos, o reajuste acumulado se aproxima de 30%

A ANEEL aprovou a revisão tarifária de 2026 da Celesc com aumento médio de 10,82%, mas o efeito sobre a indústria catarinense será maior, chegando a 14,16%. Com o reajuste aplicado em 2025, de 13,53%, a conta de energia elétrica do setor produtivo acumulou alta de quase 30% em dois anos.

Segundo a FIESC, o cenário pressiona custos e compromete a competitividade das empresas de Santa Catarina. A entidade sustenta que a elevação da tarifa não é explicada pela atuação da distribuidora local, mas por fatores definidos na esfera federal.

Na avaliação técnica da federação, apenas 1,61 ponto percentual dos 10,82 pontos de impacto médio vem da Parcela B, que corresponde à atividade de distribuição da Celesc. O restante está ligado principalmente a encargos setoriais e compensações regulatórias, que somam 5,21 pontos percentuais entre base econômica e CVA.

Entre os itens que mais pesaram, a CDE Uso subiu 16,30%, com impacto adicional estimado em cerca de R$ 425 milhões em um único ciclo. Já os encargos de serviço de sistema e de reserva de capacidade tiveram alta de 26,62%, ampliando ainda mais a pressão sobre a fatura.

A FIESC destaca que a Celesc teve redução de custos de 5,82% pela metodologia de benchmarking da ANEEL. O custo unitário de distribuição da companhia é de R$ 91,51/MWh, valor bem inferior à média nacional, de R$ 188,38/MWh.

Mesmo assim, a conta final sobe por causa do peso crescente dos encargos. Descontada a compra de energia, esses custos já representam 44,5% da receita, o que reforça, segundo a entidade, que a pressão tarifária vem de decisões regulatórias e setoriais fora da distribuidora catarinense.

Para a indústria, o aumento da energia elétrica representa mais um desafio em um contexto de custos elevados. A FIESC afirma que o encarecimento do insumo afeta diretamente a produção, reduz margens e dificulta a manutenção da competitividade das empresas no estado.

O debate, segundo a entidade, deve se concentrar nos componentes federais da tarifa, já que a operação da Celesc não é apontada como a principal causa da alta. O tema tende a seguir no centro das discussões sobre o ambiente de negócios em Santa Catarina.

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