Criada em São Miguel do Oeste, a iopoint desenvolveu sistema de controle de jornada que funciona online e offline e já atende mais de 5 mil clientes no país; avanço da tecnologia em granjas está entre os mercados da empresa

A profissionalização e modernização das atividades no campo também passa por processos que acontecem longe da produção propriamente dita. Controle de jornada, gestão de equipes e conectividade são alguns deles. Em São Miguel do Oeste, uma empresa de tecnologia encontrou nesse movimento um mercado para uma solução que pode ser usada tanto dentro de escritórios quanto em propriedades rurais, inclusive em locais onde a conexão com a internet é instável ou inexistente.

Criada no município do Extremo-Oeste catarinense, a iopoint, que está participando do Startup Summit 2026, em Florianópolis, desenvolveu um sistema de controle de ponto por reconhecimento facial que permite ao trabalhador registrar sua jornada mesmo sem estar conectado à internet. Nesse caso, as informações ficam armazenadas no dispositivo e são sincronizadas automaticamente quando uma conexão volta a estar disponível.

A característica amplia as possibilidades de utilização em atividades realizadas fora dos ambientes convencionais de trabalho. Segundo Deyvis Manuel Prestes, diretor de Telecom da empresa, um dos segmentos em que percebe esse movimento é o de granjas de aves. “É comum que o profissional esteja em algum local mais remoto da propriedade para bater o ponto, mas mesmo sem a conexão com a internet, consegue realizar a função”, afirma.

Ainda de acordo com Deyvis, atualmente são mais de 5 mil clientes distribuídos por todas as regiões do Brasil. Entre eles estão empresas de diferentes portes e setores, inclusive a Klabin, citada como um dos casos de utilização da tecnologia em operações nas quais a possibilidade de registrar o ponto offline torna-se relevante.

Além do funcionamento sem internet, o sistema utiliza reconhecimento facial com tecnologia liveness, desenvolvida para verificar se há uma pessoa real diante da câmera, e geolocalização. Dessa forma, é possível identificar o funcionário e registrar a localização em que a marcação foi realizada. O sistema também permite automatizar cálculos de horas extras,

Do Extremo-Oeste para o mercado nacional

A expansão para outros estados também passou pela adoção do modelo de franquias, como a de Fabricio Henrique Secchi, franqueado master da iopoint em Santa Catarina. Ele observa que a presença crescente da tecnologia em propriedades rurais vem acompanhada de uma mudança na maneira como esses negócios são administrados.

A trajetória da iopoint começou em São Miguel do Oeste, onde está a matriz da empresa e, em 2026, são 33 franquias ativas atualmente, concentradas principalmente na Região Sul, além de uma operação em São Paulo. Inicialmente voltada ao desenvolvimento da solução para controle de jornada, a iopoint ampliou sua atuação e passou também a operar no mercado de telefonia móvel.

A iopoint Telecom funciona como uma operadora móvel virtual, modelo conhecido pela sigla MVNO (Mobile Virtual Network Operator). Isso significa que a empresa não precisa manter uma estrutura própria de torres de telefonia, utilizando infraestrutura de transmissão já existente das outras operadoras, em um formato de compra de gigas. A modalidade permite que empresas ofereçam serviços de telefonia móvel sem construir toda a rede física necessária para uma operadora tradicional.

Segundo o franqueado, a proposta também passa pela flexibilidade na relação com o usuário. “Os contratos não exigem fidelidade, permitindo que o cliente permaneça no serviço enquanto considerar que a solução atende às suas necessidades e a liberdade do cliente é um ativo muito importante para gente”, afirma.

A expansão para telecomunicações coloca a conectividade ao lado da gestão de jornada entre os mercados explorados pela empresa catarinense. São soluções que acabam se encontrando principalmente em atividades descentralizadas: enquanto a telefonia busca manter pessoas e operações conectadas, o sistema de ponto foi desenvolvido para continuar funcionando justamente nos momentos em que essa conexão não está disponível. “Processos antes associados principalmente a grandes estruturas empresariais começam a chegar a negócios rurais que incorporam ferramentas digitais à rotina e vêem uma melhora na gestão e na produção”, conclui Fabrício.

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