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A CNI reconhece o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima como um instrumento central para a convergência entre a agenda climática e o desenvolvimento produtivo do Brasil. (Fotos: Shutterstock)
Entidade afirma que os recursos ajudam a modernizar a produção, reduzir emissões e fortalecer cadeias industriais estratégicas
A Confederação Nacional da Indústria avalia que o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima tem um papel decisivo para aproximar a agenda climática do desenvolvimento produtivo brasileiro. Na visão da entidade, a ampliação dos recursos destinados ao instrumento ajuda a modernizar a indústria, acelerar a transição energética e criar condições para uma economia de baixo carbono mais competitiva e resiliente.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que a trajetória recente do fundo demonstra um compromisso com a escala necessária para enfrentar os desafios climáticos. A entidade destaca que o crédito de longo prazo e menor custo pode ser combinado a outras fontes de financiamento, favorecendo a mobilização de capital, a transferência tecnológica e a redução de custos para as empresas.
Segundo dados do BNDES, o volume de recursos aprovados pelo Fundo Clima passou de R$ 0,9 bilhão em 2023 para R$ 12,5 bilhões em 2025. Até julho de 2026, já haviam sido aprovados mais R$ 5,1 bilhões. No período entre 2023 e julho de 2026, os setores de infraestrutura e indústria concentraram a maior parte das aprovações, com R$ 13,2 bilhões e R$ 10,6 bilhões, respectivamente.
No setor industrial, os principais aportes foram direcionados aos eixos de Transição Energética e Indústria Verde. Os projetos apoiados viabilizaram substituição de combustíveis fósseis, expansão da capacidade de geração solar e eólica e avanço de biocombustíveis e biogás, indicando que o fundo já gera impactos além do volume financeiro aplicado.
Na área de Indústria Verde, os investimentos permitiram substituir 32 mil toneladas equivalentes de petróleo em combustíveis fósseis, volume próximo de 3% do consumo de óleo diesel industrial registrado em 2024. Já os projetos de Transição Energética acrescentaram 1.025 MW de capacidade de geração de energia solar e eólica, além de impulsionarem a produção de biometano e etanol.
Somente no primeiro semestre de 2026, a capacidade de produção de biometano aumentou em cerca de 117 milhões de metros cúbicos por ano. A produção de etanol também avançou, com expansão estimada em 670 mil metros cúbicos por ano. Dados do BNDES mostram ainda que projetos aprovados entre 2024 e junho de 2026 evitaram ou removeram 336,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.
A CNI defende que a transição energética brasileira depende do fortalecimento de cadeias produtivas estratégicas, como a de minerais críticos. O Brasil tem posição de destaque em reservas de grafite natural, ferro, manganês e níquel, além de possuir a maior reserva mundial de nióbio. Mesmo assim, sua participação na produção global ainda é menor do que sua fatia nas reservas, o que reforça a necessidade de ampliar a industrialização e o beneficiamento no país.
Outro ponto destacado pela entidade é o investimento em tecnologias de descarbonização, especialmente a Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono, ou CCUS. A solução é considerada estratégica para setores como siderurgia, cimento e indústria química, nos quais a redução de emissões é mais difícil. A CNI afirma que, sem CCUS, alcançar a neutralidade de carbono poderia elevar em 138% o custo do processo, enquanto sua combinação com hidrogênio pode reduzir em até 50% as emissões de indústrias intensivas em energia.
Para a entidade, apoiar diferentes trajetórias tecnológicas é uma forma de ampliar a competitividade da indústria brasileira e preparar o país para exigências cada vez maiores de sustentabilidade no mercado internacional.
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