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O varejo brasileiro no mês de junho cresceu mais do que o esperado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). (Fotos: Magnific)
Supermercados lideram a recuperação, enquanto o crédito caro e o endividamento seguem limitando a retomada de outros segmentos
O comércio varejista brasileiro cresceu acima do esperado em junho, mas o desempenho ainda apresenta sinais de desaceleração em alguns segmentos. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada na quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo restrito avançaram 0,5% em relação a maio, superando a projeção de 0,1% da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O resultado foi impulsionado principalmente pela recuperação de supermercados e hipermercados, que registraram alta de 1,1% em junho, após queda de 1,4% no mês anterior. O resultado de maio, por sua vez, foi revisado pelo IBGE de 0,2% para 0,3%.
Com a alta de junho, o índice de volume do varejo chegou a 109,7 pontos, ficando 0,7% abaixo do recorde registrado em março. Na comparação com junho de 2025, o comércio cresceu 2,9%. No primeiro semestre de 2026, a alta acumulada foi de 1,9%, enquanto o crescimento em 12 meses chegou a 1,6%.
Apesar do avanço mensal, a média móvel trimestral recuou 0,3%, indicando que a recuperação ainda não está consolidada. Para a CNC, o desempenho continua desigual entre os diferentes segmentos do comércio.
Dos oito grupos pesquisados no varejo restrito, quatro apresentaram crescimento em junho. O principal destaque foi o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que avançou 1,1% depois de registrar queda de 1,4% em maio.
Por ser o segmento de maior peso na pesquisa, a recuperação teve impacto significativo sobre o resultado geral. Na comparação com junho de 2025, o setor respondeu por 1,2 ponto percentual dos 2,9% de crescimento do varejo restrito.
A CNC também destacou a redução dos preços dos alimentos consumidos nos domicílios. Em junho, houve queda de 0,39%, após alta de 1,65% em maio. A menor pressão sobre o orçamento das famílias contribuiu para a recuperação das vendas, embora o movimento ainda seja considerado gradual.
Também registraram crescimento em junho os segmentos de outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%), móveis e eletrodomésticos (0,4%) e artigos farmacêuticos (0,2%). O setor farmacêutico chegou ao 40º mês consecutivo de crescimento na comparação anual.
Na outra ponta, quatro dos oito segmentos pesquisados apresentaram retração em junho. A maior queda foi registrada por livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 9,9%. Na sequência aparecem tecidos, vestuário e calçados (-2,6%), combustíveis e lubrificantes (-1,7%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-1,3%).
Segundo a CNC, o resultado de livros, jornais, revistas e papelaria deve ser analisado com cautela devido ao tamanho reduzido e à volatilidade do segmento. Em maio, a atividade havia registrado crescimento de 16,1%.
No setor de vestuário, a queda de 2,6% ocorreu mesmo com redução de 2,2% nos preços implícitos. O varejo ampliado, que inclui veículos, motocicletas, partes e peças e materiais de construção, apresentou queda de 1% em junho, registrando a terceira retração consecutiva.
A média móvel trimestral recuou 0,7%, enquanto o crescimento acumulado em 12 meses ficou em apenas 0,8%. O resultado foi influenciado principalmente pelas vendas de veículos, motocicletas, partes e peças, que caíram 1,5%, e de materiais de construção, com retração de 3,5%.
Em 12 meses, os dois segmentos acumulam quedas de 1,2% e 1,8%, respectivamente.
Para o economista da CNC João Vitor Gonçalves, o desempenho mais fraco das atividades relacionadas a compras de maior valor está associado ao cenário de crédito restritivo. “A taxa Selic encerrou junho em 14,25%, enquanto a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, apontou que 81,6% das famílias estavam endividadas e 29,9% tinham contas em atraso. Nesse cenário, o custo do crédito e o comprometimento do orçamento reduzem o espaço para aquisições de maior valor”, avaliou.
Para julho, a CNC projeta crescimento de 0,6% no volume do varejo restrito, considerando o ajuste sazonal. A entidade também mantém projeção de crescimento para o comércio em 2026, mas ressalta que o cenário econômico ainda indica desaceleração e que os resultados devem continuar diferentes entre os segmentos.
“O desempenho do comércio permanece heterogêneo entre os diferentes setores, com características específicas de cada atividade influenciando os resultados. O elevado endividamento das famílias e os efeitos defasados dos juros devem continuar limitando principalmente as atividades mais dependentes de crédito”, afirmou Gonçalves.
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