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Exportações brasileiras para a EFTA atingiram US$ 3,8 bilhões em 2025. (Fotos: Freepik)
Tratado avança nas negociações e promete ampliar exportações, reduzir tarifas e facilitar o comércio exterior para a indústria catarinense
O avanço nas negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, cria novas perspectivas para o comércio exterior brasileiro e, especialmente, para a indústria de Santa Catarina.
O tratado prevê isenção tarifária para cerca de 97% das transações de bens entre o Brasil e os países da EFTA, além da redução gradual de tarifas para outros 1,2% dos produtos. O acordo também estabelece cotas específicas para produtos agrícolas, como carnes, milho, mel e óleos vegetais.
Os números do comércio bilateral mostram uma relação já consolidada entre os mercados. Em 2025, o Brasil exportou US$ 3,8 bilhões para os países da EFTA, enquanto as importações chegaram a US$ 4 bilhões. Somadas, as operações movimentaram US$ 7,8 bilhões.
A pauta comercial é predominantemente industrial. Os bens intermediários representaram 68,5% das trocas bilaterais no último ano. A Indústria de Transformação responde por 93,1% das exportações brasileiras para o bloco e por 99,7% das importações.
Santa Catarina entre os estados com mais oportunidades
Santa Catarina aparece entre os estados com maior potencial de aproveitamento do novo acordo. Segundo mapeamentos da indústria, o estado é o terceiro do país com maior número de oportunidades de exportação para a EFTA, com 354 possibilidades identificadas, atrás de São Paulo e Paraná.
“Santa Catarina posiciona-se como um dos estados mais estratégicos para o aproveitamento do tratado. Mapeamentos da indústria indicam que SC é a 3ª unidade da federação com o maior número de oportunidades de exportação para a EFTA, somando 354 oportunidades mapeadas, atrás apenas de São Paulo e Paraná”, destacou Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC.
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou 653 oportunidades para 453 produtos industriais brasileiros nos mercados da EFTA. Parte significativa delas está relacionada à estrutura produtiva de Santa Catarina.
Agroindústria e alimentos:
O setor concentra 119 oportunidades, sendo 50 classificadas como possibilidades de abertura de mercado. Entre os destaques estão as carnes de aves e suínos, beneficiadas por cotas com alíquota zero, além do café não torrado. As aves já representam 15,3% das exportações brasileiras para o bloco, enquanto o café responde por 18,8%.
Metalmecânico, eletrônico e máquinas:
O segmento reúne 53 oportunidades. A eliminação de tarifas pode beneficiar empresas dos polos industriais de Jaraguá do Sul e Joinville, especialmente na comercialização de motores elétricos, geradores, compressores e produtos metálicos. São 11 oportunidades identificadas em consolidação e outras 11 em recuperação.
Químicos e plásticos:
O setor apresenta 89 oportunidades, com destaque para 50 possibilidades de abertura e consolidação de mercado para empresas da indústria química e de transformação.
O acordo também pode beneficiar as empresas catarinenses no fluxo de importações. Com a redução de tarifas, a indústria poderá ter acesso a insumos, equipamentos e tecnologias provenientes dos países da EFTA a custos potencialmente menores.
Entre os principais produtos importados pelo Brasil do bloco estão produtos farmacêuticos e medicamentos, que representam 11,1% da pauta, compostos organo-inorgânicos (5,2%), além de fertilizantes e máquinas industriais de precisão.
Além da redução ou eliminação de tarifas, o acordo estabelece mecanismos destinados a facilitar as operações de comércio exterior.
Um dos destaques é a acumulação de origem estendida com a União Europeia, que permitirá o uso de determinados insumos provenientes da UE em produtos exportados para a EFTA, preservando o benefício tarifário.
O tratado também prevê avanços em regras sanitárias para a agroindústria, redução de entraves técnicos e maior abertura para empresas brasileiras no mercado de compras governamentais.
A entrada em vigor do acordo ocorrerá de forma bilateral e progressiva. A implementação com a Islândia está prevista para 1º de outubro de 2026, enquanto a relação com a Noruega deve começar em 1º de novembro de 2026.
Para Suíça e Liechtenstein, a previsão é de implementação durante o primeiro semestre de 2027.
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