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Queda se dá em relação ao mesmo período do ano passado; horas trabalhadas na produção e uso do parque fabril também caíram, assim como o emprego industrial. (Fotos: Gabriel Pinheiro/CNI)
Faturamento recua no acumulado do ano, enquanto custos, juros e importações pressionam o setor
O faturamento da indústria de transformação cresceu 0,8% em junho, mas encerrou o primeiro semestre de 2026 1% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quarta-feira (12).
O resultado reforça o cenário de desaceleração da atividade industrial no país. O número de horas trabalhadas na produção avançou apenas 0,2% em junho, mas acumulou queda de 1,1% entre janeiro e junho, na comparação com os primeiros seis meses do ano passado.
A redução do ritmo de produção também afetou a utilização das fábricas. Em junho, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 0,6 ponto percentual, passando de 77,4% para 76,8%. Na média do primeiro semestre, o indicador ficou 1 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o desempenho da indústria é influenciado principalmente pelos juros elevados, pelo aumento dos custos de produção e pelo avanço das importações.
“A indústria vem andando de lado e isso se deve, principalmente, a três fatores: o patamar elevado dos juros e seus desdobramentos sobre a atividade econômica, agravados pelo alto endividamento das famílias e das empresas; o avanço expressivo dos custos de produção; e a forte entrada de produtos importados”, afirma.
De acordo com a especialista, a combinação desses fatores dificulta o repasse dos custos para os preços dos produtos nacionais, devido à concorrência com mercadorias importadas, pressionando as margens das empresas.
O mercado de trabalho da indústria apresentou resultados diferentes entre os indicadores. O emprego industrial cresceu 0,2% em junho, mas acumulou queda de 0,6% no primeiro semestre, na comparação com os seis primeiros meses de 2025.
Por outro lado, a massa salarial apresentou crescimento de 0,9% em junho em relação a maio e terminou o primeiro semestre 0,8% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
O rendimento médio dos trabalhadores também avançou. O indicador subiu 0,6% em junho e acumulou alta de 1,4% no primeiro semestre.
Indicadores industriais no primeiro semestre
Faturamento: -1%
Horas trabalhadas: -1,1%
Emprego: -0,6%
Massa salarial: +0,8%
Rendimento médio: +1,4%
Utilização da capacidade instalada: 1 ponto percentual abaixo da média do primeiro semestre de 2025
Os dados fazem parte dos Indicadores Industriais da CNI, que acompanham mensalmente o desempenho da indústria de transformação brasileira.
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