Plano aposta em visão de longo prazo, integração dos modais e prioridade para investimentos e manutenção

O Executivo apresentou em Brasília, na quarta-feira (12), o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), documento que vai orientar as prioridades da infraestrutura de transportes nas próximas décadas. A proposta define diretrizes para investimentos, manutenção e integração entre os diferentes modais, com foco em eficiência operacional e competitividade do país.

O lançamento reuniu autoridades do governo federal, especialistas, representantes dos setores produtivos e integrantes da sociedade civil. A cerimônia contou com a presença dos ministros dos Transportes, George Santoro; de Portos e Aeroportos, Tomé Franca; e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, além da participação do Sistema Transporte.

O documento apresentado pelo governo estabelece um cenário de expansão da infraestrutura com 31 eixos prioritários. Desse total, 12 são rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais. O foco também inclui a manutenção da malha existente, considerada essencial para melhorar o desempenho da logística nacional.

A construção do plano levou cerca de dois anos e reuniu contribuições de representantes dos setores produtivos, dos estados e da sociedade civil. Segundo o Ministério dos Transportes, a metodologia partiu de uma lógica diferente da tradicional: primeiro se definem os problemas e o país que se quer construir, para depois identificar os investimentos que fazem sentido.

Na avaliação do diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, o lançamento do PNL 2050 marca um momento importante para o setor transportador, por consolidar uma visão de longo prazo construída a partir do diálogo com diferentes atores. Para ele, o verdadeiro teste do plano começa agora, com a execução das prioridades anunciadas.

A entidade defende que o PNL seja tratado como uma política de Estado, capaz de atravessar ciclos de governo. Para isso, segundo a CNT, o planejamento precisa de continuidade, governança, respaldo técnico e recursos assegurados nos instrumentos orçamentários, além de monitoramento permanente dos resultados.

Durante o processo de elaboração, a CNT envolveu suas 63 entidades associadas e filiadas na avaliação do diagnóstico e participou de 20 encontros regionais por meio das Federações de Transporte. A confederação destacou a importância de considerar as diferentes realidades do país, especialmente em um Brasil continental, com vocações produtivas e gargalos logísticos distintos.

O ministro dos Transportes afirmou que o próximo passo será detalhar o PNL em planos táticos voltados às diferentes modalidades de transporte, seguindo a lógica do Planejamento Integrado de Transportes. Esses documentos deverão ser publicados até dezembro de 2026.

Com o lançamento, o Sistema Transporte passa a acompanhar a implementação das prioridades definidas e a atualização periódica do plano ao longo dos próximos ciclos de planejamento. A expectativa é que o PNL 2050 ajude a construir uma logística mais integrada e sustentável, com operações mais eficientes, redução de custos e fortalecimento da competitividade brasileira.

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