FIESC atribui o resultado a juros altos, crédito restrito e impacto de tarifas externas

A indústria de transformação de Santa Catarina acumulou queda de 1,7% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho ficou abaixo da média nacional, que registrou alta de 0,4% no período.

O resultado estadual foi influenciado principalmente por um primeiro trimestre de desempenho negativo. Apesar da recuperação observada entre abril e junho, o avanço não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas nos primeiros três meses do ano.

Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, o cenário exige atenção diante das dificuldades enfrentadas pelo setor. “O primeiro semestre foi marcado por desafios e superações para a indústria de SC. Apesar de termos observado uma reação no segundo trimestre, a produção industrial segue em queda diante de um ambiente macroeconômico adverso”, avalia Seleme.

Móveis e veículos estão entre os setores mais afetados

Entre os segmentos analisados, a fabricação de móveis registrou a maior retração no semestre, de 16,7%. O setor foi afetado pelo cenário externo, incluindo o chamado segundo tarifaço norte-americano, além das condições de crédito no mercado interno. A fabricação de produtos de madeira também apresentou queda expressiva, de 6,5%, em meio aos impactos das tarifas aplicadas às exportações destinadas aos Estados Unidos.

A combinação de juros elevados e restrições ao crédito também atingiu setores ligados à produção de bens duráveis. No semestre, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias recuou 12,8%.

Também registraram resultados negativos:

Produtos de metal: -9,8%;
Máquinas e equipamentos: -4,6%;
Materiais elétricos: -3,9%.

Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a retração na indústria de produtos de metal também está relacionada à redução dos investimentos. “A queda em produtos de metal também reflete a contenção de investimentos em projetos industriais, infraestrutura e construção civil”, explica.

Apesar do resultado negativo da indústria catarinense no acumulado do ano, alguns segmentos apresentaram crescimento. A fabricação de produtos de borracha e material plástico liderou o desempenho positivo, com alta de 10,4%. Na sequência aparecem:

Produtos alimentícios: +3%;
Minerais não metálicos: +2,2%;
Metalurgia: +1,9%;
Produtos químicos: +1,3%.

De acordo com Bittencourt, o avanço da indústria de borracha e plástico está relacionado à antecipação da produção e à recomposição de estoques diante das incertezas no mercado internacional. “O avanço no segmento de borracha e plástico está associado ao movimento de antecipação da produção e recomposição de estoques em função das incertezas no mercado de petróleo e do conflito no Irã. Já o setor de alimentos manteve sua trajetória sustentada pela demanda interna e externa”, afirma.

Apesar da retração acumulada no semestre, a indústria catarinense apresentou resultado positivo na comparação entre junho de 2026 e junho de 2025, com crescimento de 1,9%. Os maiores avanços no mês foram registrados pelos segmentos de borracha e plástico, com alta de 15,4%, e produtos alimentícios, que cresceram 9,5%.

Por outro lado, alguns setores permaneceram em queda. A produção de produtos de metal recuou 10,1%, enquanto a fabricação de móveis caiu 9,3% na comparação anual. Para a FIESC, os números consolidados do primeiro semestre mostram um cenário mais desafiador do que o projetado inicialmente.

Na avaliação do economista-chefe da entidade, a recuperação da indústria foi prejudicada pelo ambiente macroeconômico brasileiro, marcado por juros elevados e crédito mais restrito. No cenário externo, os efeitos do tarifaço norte-americano e as tensões no Oriente Médio também contribuíram para pressionar os custos de matérias-primas e energia.

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