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Os preços dos animais de desmama encerraram a temporada com valores de aproximadamente 19% acima dos registrados no mesmo período de 2025. (Fotos: Divulgação)
Levantamento do Grupo de Melhoramento Genético da Udesc mostra que o mercado voltou a se fortalecer em 2026
O mercado de terneiros em Santa Catarina manteve a trajetória de valorização em 2026 e fechou o primeiro semestre com preços cerca de 19% acima do observado no mesmo período de 2025. O resultado consolida o segundo ano consecutivo de alta, depois de três temporadas de retração, segundo levantamento do Grupo de Melhoramento Genético (GMG) da Udesc, com apoio da Faesc.
O estudo acompanha os leilões realizados em diferentes regiões catarinenses e mostra que o volume de eventos permaneceu próximo à média dos anos recentes. Entre janeiro e junho, foram registrados 85 leilões, ligeiramente acima dos 82 contabilizados no primeiro semestre de 2025.
Oeste e Planalto lideraram o número de eventos, com 27 leilões cada. No Oeste, o volume ficou estável na comparação anual, enquanto no Planalto houve crescimento de 18,52%. Já o Meio-Oeste teve um evento a menos e as demais regiões registraram participação menor no período.
No Norte Catarinense, foram contabilizados seis leilões, e no Vale do Itajaí não houve registro de evento de desmama. De acordo com o GMG, essa distribuição reforça a concentração do mercado em algumas áreas do Estado e ajuda a explicar a dinâmica dos preços ao longo da temporada.
O professor Diego de Córdova Cucco, responsável pelo grupo, observou que os leilões seguem mais concentrados entre março e maio, com abril se consolidando como o mês de maior realização de eventos em Santa Catarina nos últimos anos. Segundo ele, os preços apresentaram tendência linear de crescimento entre janeiro e abril para machos e fêmeas, repetindo o comportamento visto em 2025.
Ao final do semestre, os machos alcançaram média de R$ 16,01 por quilo de peso vivo, enquanto as fêmeas ficaram em R$ 15,47 por quilo. Apesar da valorização nas duas categorias, os machos continuaram sendo negociados com leve vantagem, com pouca oscilação na diferença entre os valores ao longo do período.
O desempenho pode estar ligado à demanda por animais para recria e engorda, além da necessidade de reposição dos plantéis. Se o apetite de compra permanecer aquecido, o levantamento indica que ainda pode haver espaço para novas altas em 2027.
O cenário também foi influenciado por fatores externos, como conflitos geopolíticos, aumento de tarifas comerciais, cotas e ocorrências sanitárias, a exemplo do registro de febre aftosa na China. Esses elementos podem afetar a cadeia pecuária brasileira por atingirem países compradores de proteína ou fornecedores de insumos, com reflexos nos custos de produção, nas exportações e na formação dos preços internos.
Para o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, os números confirmam a força e a organização da pecuária catarinense. Ele afirmou que o avanço nos preços reforça a necessidade de investimento contínuo em genética, sanidade, gestão e eficiência produtiva para ampliar a competitividade dos produtores.
No primeiro semestre, o GMG realizou 17 divulgações semanais com resultados avaliados de forma criteriosa. No segundo semestre, o grupo passa a apresentar os dados referentes aos leilões de reprodutores, com acompanhamento pelo Instagram @gmg_udesc, pelas rádios parceiras e pelo site do Sistema Faesc/Senar.
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