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Segundo a Confederação, os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. (Fotos: Shutterstock)
Para a entidade, a redução anunciada pelo Copom é positiva, porém insuficiente diante do aperto sobre a indústria e as famílias
A Confederação Nacional da Indústria considerou acertada a redução da taxa básica de juros para 14% ao ano, mas reforçou que o nível atual ainda é excessivamente alto. Para a entidade, o crédito caro continua sufocando empresas, dificultando investimentos e afetando a renda das famílias em um cenário de endividamento elevado.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que não há justificativa para a manutenção da Selic em patamar tão restritivo. Segundo ele, a decisão do Banco Central piora as perspectivas para a indústria, que já enfrenta incertezas externas e menor espaço para crescer.
A entidade destaca que as expectativas de inflação vêm melhorando e que os indicadores mais recentes apontam desaceleração dos preços. O IPCA-15 acumulou alta menor em 12 meses até julho, enquanto os núcleos de inflação de junho seguem em trajetória mais compatível com a meta, apesar de riscos geopolíticos e climáticos.
Na avaliação da CNI, também há fatores que ajudam a conter a inflação, como a valorização do real frente ao dólar nos últimos meses. A apreciação da moeda favorece a redução de pressões de preços e reforça o argumento de que há espaço para uma queda mais forte dos juros.
Levantamento da CNI mostra que os juros devem continuar pesando sobre o caixa das empresas nos próximos meses. Mais da metade prevê aumento da necessidade de financiamento para pagar contas, enquanto parte relevante também espera pressão sobre recebimentos e estoques, elevando a demanda por capital de giro.
Entre as companhias que dependem de mais financiamento, cresce a expectativa de crédito mais caro e de aumento do endividamento bancário. Como consequência, a maioria projeta redução das margens líquidas, o que pode comprometer rentabilidade, investimento e geração de empregos.
Para tentar preservar competitividade, muitas empresas pretendem segurar preços, inclusive diante da concorrência de produtos importados. Outras avaliam repassar custos ao consumidor, o que pode voltar a pressionar a inflação no varejo.
A CNI também alerta para o impacto dos juros no crédito livre e no refinanciamento das dívidas das famílias. Com parcelas mais caras, a renda disponível fica ainda mais comprimida, reduzindo o consumo essencial e aumentando o risco de superendividamento.
Na visão da entidade, programas como o Desenrola 2.0 ajudam a aliviar parte do problema, mas não enfrentam as causas estruturais do endividamento. Entre elas, a CNI cita a educação financeira limitada e o nível ainda muito elevado das taxas de juros no país.
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