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O consumidor brasileiro continua indo ao supermercado, mas está saindo com carrinhos menores. (Fotos: ACATS)
Bebidas, perecíveis e categorias ligadas ao calor ganharam espaço, enquanto itens básicos e promoções perderam força
O Radar Scanntech de julho mostra que o brasileiro continuou frequentando os supermercados, embora com carrinhos menores e comportamento mais seletivo. Nas mesmas lojas, o faturamento avançou 1,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, mas as unidades vendidas recuaram 2,1% e o fluxo de clientes caiu 3%.
Segundo o levantamento, isso indica que o consumidor mantém as compras, mas prioriza algumas categorias e reduz outras dentro da cesta. O resultado ajuda a explicar por que parte do varejo cresceu enquanto segmentos tradicionais perderam espaço.
As categorias de bebidas e perecíveis foram as que melhor performaram em julho. O inverno mais quente que o normal favoreceu produtos ligados ao calor, como água mineral, energéticos e isotônicos, que registraram avanço nas vendas em unidades.
Na direção oposta, itens mais associados às temperaturas baixas perderam fôlego. Vinho, whisky e chá tiveram retração no mês, refletindo tanto a sazonalidade atípica quanto a mudança na composição das compras.
A mercearia básica continua entre os grupos mais pressionados. Café, arroz e açúcar aparecem entre os produtos com maior recuo, movimento influenciado pela queda das commodities e pela menor presença desses itens nas compras dos consumidores.
O cenário reforça que o desafio do varejo não está apenas em vender mais, mas em entender quais produtos realmente fazem parte da missão de compra de cada visita à loja.
Outro ponto destacado pelo Radar é que as promoções ficaram mais intensas em julho, sem gerar o mesmo impacto sobre as vendas observado em outros momentos. Para a Scanntech, isso mostra que estratégias baseadas somente em descontos têm menos capacidade de estimular o consumo.
Além disso, o levantamento indica que o varejo vive mudanças que vão além da sazonalidade. Novos hábitos de consumo, transformações no perfil das famílias e diferentes missões de compra estão alterando a composição das cestas e exigindo ajustes constantes no sortimento das lojas.
Dentro das lojas, a ruptura de produtos atingiu o menor índice da série histórica. Ao mesmo tempo, cresceram os dias de estoque e o indicador de “não venda”, quando o item está disponível nas gôndolas, mas não é comprado pelo consumidor.
Na prática, o dado sugere que o varejo precisa ir além da reposição e calibrar melhor o mix de produtos para acompanhar as novas preferências de compra. O equilíbrio entre disponibilidade e relevância do sortimento aparece como um dos principais desafios do setor.
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