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A indústria brasileira segue investindo em máquinas e equipamentos novos, mas ainda dá os primeiros passos na modernização tecnológica do parque fabril. (Fotos: Claraboia Filmes )
Levantamento da CNI mostra que o setor continua comprando equipamentos novos, porém avança pouco em automação e digitalização
A indústria brasileira continua investindo na compra de máquinas e equipamentos novos, mas o avanço tecnológico do parque fabril ainda é limitado. Segundo levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado nesta quarta-feira (5), 74% das empresas industriais fizeram aquisições de bens de capital novos no último ano, mantendo a preferência por renovar a capacidade produtiva.
O uso de máquinas e equipamentos usados cresceu pouco e segue em patamar inferior, com 18% das empresas recorrendo a esse tipo de compra. Apesar da continuidade dos investimentos, a modernização não tem sido acompanhada por uma mudança mais profunda no perfil tecnológico das fábricas.
Entre as empresas que investiram em máquinas e equipamentos, a maior parte buscou mecanização da produção. De acordo com a pesquisa, 72% tinham esse objetivo, enquanto 9% miravam robotização. Apenas 5% direcionaram os aportes para automação com máquinas conectadas em rede e capazes de transmitir e processar dados de forma autônoma.
Para a CNI, isso mostra que os investimentos em tecnologias ligadas à internet e à computação em nuvem ainda são tímidos. Mesmo assim, a entidade avalia que a mecanização também pode gerar ganhos de produtividade quando incorpora equipamentos mais eficientes ao processo produtivo.
A imprevisibilidade do ambiente macroeconômico aparece como o principal obstáculo aos investimentos da indústria. Entre as empresas que compraram máquinas e equipamentos novos no período analisado, 61% apontaram as incertezas econômicas como a maior barreira para investir.
Na sequência aparecem a queda das receitas e os entraves tributários, ambos citados por 47% das companhias. Também pesam as incertezas específicas de cada setor, com 46%, e a falta de mão de obra, mencionada por 43% das empresas.
Entre as indústrias que adquiriram maquinário usado, o cenário é semelhante. Nesse grupo, 66% citaram as incertezas econômicas como principal dificuldade, seguidas por queda das receitas, entraves tributários, insegurança setorial e aumento do custo dos insumos.
A pesquisa mostra diferenças relevantes entre grandes, médias e pequenas indústrias. As grandes lideraram os investimentos em máquinas e equipamentos novos, com 78%, contra 72% das médias e 66% das pequenas. Elas também estão em estágio mais avançado na adoção de tecnologias da Indústria 4.0.
No caso da automação do processo produtivo, 7% das grandes empresas tinham esse objetivo, ante 4% das médias e 2% das pequenas. A origem do maquinário também varia conforme o porte: as grandes foram as únicas a preferir máquinas importadas, enquanto médias e pequenas mostraram maior presença de equipamentos nacionais.
Ao todo, a CNI ouviu 599 empresas entre 5 e 14 de janeiro de 2026 para a Sondagem Especial nº 105. O estudo reforça o desafio de ampliar o acesso a crédito e a tecnologias avançadas, especialmente entre empresas menores, sem perder de vista a necessidade de preparar as grandes companhias para competir internacionalmente.
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