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Nos próximos três meses, empresas seguem pressionadas por juros altos e necessidade crescente de financiar despesas do dia a dia; cenário deve levar a aperto de margens e ajuste dos preços. (Fotos: Shutterstock)
Levantamento da CNI mostra que o crédito deve ficar mais caro e pressionar o caixa das empresas nos próximos meses
Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 39% das empresas industriais consultadas projetam alta da dívida bancária nos próximos três meses. O cenário ocorre em meio a juros ainda elevados e à necessidade de financiar despesas do dia a dia, como matérias-primas, salários e impostos.
Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, mesmo após cortes recentes da Selic, a taxa continua alta e segue pressionando a atividade industrial. Para as empresas, isso significa buscar mais crédito sem perspectiva de alívio relevante no custo financeiro no curto prazo.
Mais da metade das empresas ouvidas, 53%, acredita que será necessário ampliar a busca por crédito para financiar contas a pagar, estratégia usada para honrar compromissos com fornecedores, tributos e despesas operacionais. Entre elas, 38% esperam tomar esses recursos a juros mais altos.
No financiamento de contas a receber, 47% dos empresários disseram que devem intensificar a tomada de crédito para cobrir o atraso entre a venda a prazo e a entrada do dinheiro no caixa. Nesse grupo, 42% preveem custo mais elevado. Já no gerenciamento de estoques, 42% afirmam que devem aumentar o crédito para comprar, produzir ou manter mercadorias e insumos, e o mesmo percentual espera juros maiores nessas operações.
A pesquisa também indica uma visão mais negativa sobre a rentabilidade das empresas no curto prazo. Para 58% dos industriais consultados, a margem líquida deve cair nos próximos três meses, o que aumenta a pressão sobre o planejamento financeiro e operacional.
Em consequência, 37% das empresas esperam elevar os preços de venda no período, enquanto 51% pretendem mantê-los. De acordo com a CNI, a combinação de política monetária restritiva, custo do crédito ainda alto e defasagem na transmissão dos juros ajuda a explicar esse quadro.
A edição ouviu 191 empresas industriais entre 13 e 24 de julho de 2026. As respostas vieram de 30 setores industriais distribuídos em 20 unidades federativas, refletindo a percepção do setor sobre crédito, custos e rentabilidade no curto prazo.
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