Juros altos e crédito mais restrito colocam novas ferramentas financeiras e proteção contra riscos no centro do debate do setor

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo ciclo marcado por juros elevados, seletividade na oferta de crédito, oscilações econômicas e mudanças regulatórias. Nesse ambiente, a busca por alternativas de financiamento e por mecanismos de proteção contra riscos se torna essencial para manter investimentos e garantir a continuidade do crescimento do setor.

Esse será um dos principais temas da edição comemorativa de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), que vai promover o painel “Investimento e Financiamento em Tempos Voláteis”. O debate terá foco em caminhos para ampliar o acesso ao capital e fortalecer a competitividade do agro nacional.

O painel reunirá especialistas dos mercados financeiro, segurador e de capitais para discutir desafios e oportunidades diante do novo cenário econômico. Participam da mesa Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg; Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3; Flavia Palacios, diretora da ANBIMA; e Julyana Yokota, Managing Director e especialista setorial da S&P Global Ratings.

Entre os temas centrais estão os impactos da volatilidade sobre os investimentos, as perspectivas para o crédito rural, o avanço do seguro como instrumento de gestão de riscos e a expansão de ferramentas financeiras voltadas ao agronegócio. Nos últimos anos, o setor tem ampliado o uso de mecanismos alternativos de captação de recursos, reduzindo a dependência das linhas tradicionais.

Instrumentos como Cédulas de Produto Rural (CPRs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) ganharam espaço como opções para produtores, cooperativas e empresas acessarem recursos para produção, expansão e modernização das atividades agropecuárias.

Além do acesso ao capital, o debate também deve enfatizar o papel das ferramentas de proteção financeira para produtores rurais. Em um cenário de eventos climáticos mais frequentes, oscilações nos preços internacionais e incertezas no ambiente econômico global, soluções de seguro e mecanismos de mitigação de riscos passam a ser vistos como fundamentais para dar estabilidade aos investimentos no campo.

Para os especialistas, a integração entre crédito, mercado financeiro e instrumentos de proteção tende a criar um ambiente mais preparado para novos ciclos de crescimento do agronegócio brasileiro. A diversificação das fontes de financiamento deve ser estratégica para enfrentar custos financeiros mais altos e a necessidade de maior eficiência operacional.

Considerado um dos principais fóruns de discussão do setor no país, o Congresso Brasileiro do Agronegócio também contará com debates sobre geopolítica, políticas públicas, inovação e sustentabilidade. A programação inclui as mesas-redondas “O Agro na Geopolítica” e “Novo Governo: Prioridades e Compromissos”, além do painel “A Indústria que Revoluciona o Agro”, da palestra de encerramento “Caminhos para o Futuro” e da estreia do “Future Flash do Agro Brasileiro”.

Durante o evento, também serão entregues o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio e o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade, reconhecendo iniciativas e lideranças de destaque no setor.

Realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e pela B3, o CBA será realizado no dia 10 de agosto, no Sheraton WTC São Paulo Hotel. As inscrições para participação presencial estão abertas no site oficial do evento, e a transmissão online será gratuita mediante credenciamento prévio.

Nesta edição, uma novidade será a oferta de tradução simultânea para o inglês, ampliando o alcance internacional das discussões sobre o futuro do agronegócio brasileiro.

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