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Índice que mede confiança dos consumidores catarinenses tem pior resultado em três anos, segundo levantamento feito pelo Núcleo de Inteligência Estratégica da Fecomércio SC. (Fotos: Fecomércio SC)
Indicador recua pelo quinto mês seguido e acende alerta sobre confiança, crédito e poder de compra no estado
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Santa Catarina registrou queda de 3,1% em julho de 2026, alcançando 101,5 pontos, segundo levantamento do Núcleo de Inteligência Estratégica da Fecomércio SC. O resultado representa o menor nível em três anos, desde junho de 2023, e confirma a quinta retração mensal consecutiva.
Na comparação com julho de 2025, o recuo foi de 6,1%. Desde fevereiro, o indicador perdeu 11,3 pontos e se aproxima da marca de 100 pontos, considerada a fronteira entre otimismo e pessimismo das famílias em relação ao consumo, ao trabalho e às expectativas para o futuro.
O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, afirma que a entidade acompanha o movimento com preocupação. Para ele, o fato de a ICF em Santa Catarina estar abaixo da média nacional, algo incomum historicamente, reforça o sinal de alerta sobre a confiança do consumidor no estado.
Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão a proximidade das eleições, os juros elevados há mais de quatro anos, o noticiário geopolítico negativo e o receio de que a inflação reduza a renda das famílias. O bloco de Condições de Consumo segue como o mais pressionado, com destaque para a piora no acesso ao crédito e na disposição para compras de bens duráveis.
No bloco de Momento Atual, o comportamento foi misto. O indicador de emprego atual ficou praticamente estável no mês e avançou 6,7% na comparação anual, sendo o único subindicador com variação positiva. Já a renda atual caiu 2,2% em relação a junho e 3,3% frente a julho de 2025, sinalizando perda de poder de compra.
As expectativas para os próximos meses também pioraram. A perspectiva profissional recuou 7,1% na comparação mensal e 12,7% na anual, mostrando menor confiança nas oportunidades de trabalho. A perspectiva de consumo teve leve alta, mas ainda em patamar inferior ao período pré-pandemia.
Enquanto Santa Catarina registra trajetória de queda, o Brasil apresenta leve avanço da confiança. No país, a ICF cresceu 0,1% na comparação mensal e 2,6% em relação a julho do ano anterior, apoiada pela desaceleração dos preços, especialmente de bens duráveis, e pela resiliência do mercado de trabalho.
Mesmo com esse contraste, o cenário catarinense indica maior cautela das famílias, que enfrentam crédito mais restrito, renda pressionada e menos segurança sobre os próximos meses. O resultado reforça a preocupação com a recuperação do consumo no estado.
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