-
Edição de julho da pesquisa mensal chegou aos 105,6 pontos. (Fotos: Banco de imagens )
Compra de bens duráveis impulsiona indicador em julho, enquanto preocupação com o futuro profissional freia o otimismo dos consumidores
A intenção de consumo das famílias brasileiras voltou a crescer em julho e atingiu o maior nível dos últimos 11 anos. É o que mostra a pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada na quinta-feira (23).
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 105,6 pontos, registrando alta de 0,1% em relação a junho e avanço de 2,6% na comparação com julho do ano passado. O resultado representa o melhor desempenho da série histórica desde março de 2015.
O principal destaque foi o aumento de 20% na disposição para comprar bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a CNC, a desaceleração da inflação foi um dos principais fatores que favoreceram o consumo de produtos de maior valor.
O subíndice que mede o momento para compra de bens duráveis chegou a 77 pontos, impulsionado pela inflação acumulada de apenas 0,78% para esse grupo de produtos nos últimos 12 meses, bem abaixo da inflação geral medida pelo IPCA, que ficou em 4,64% no período.
Além dos preços mais estáveis, as expectativas em relação aos juros e ao mercado de trabalho também contribuíram para aumentar a confiança dos consumidores. A perspectiva de consumo subiu 1,1% no mês, chegando a 108,6 pontos, enquanto o indicador de acesso ao crédito avançou 0,8% em julho e 7,4% na comparação anual, alcançando 104 pontos.
O nível de consumo atual também apresentou crescimento, com alta de 0,1% no mês e 2,8% em 12 meses, totalizando 93 pontos.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o resultado demonstra a capacidade de reação do comércio mesmo em um cenário econômico ainda desafiador.
"Essa ligeira, porém contínua, melhora mensal da intenção de consumo das famílias evidencia a resiliência do setor produtivo. Consumidores e empresários compartilham preocupações e expectativas diante das oportunidades do mercado", afirmou.
Segundo ele, a desaceleração da inflação tem favorecido especialmente a compra de bens duráveis. Apesar do avanço da intenção de consumo, a pesquisa mostra que as famílias continuam cautelosas em relação ao mercado de trabalho.
O indicador de perspectiva profissional caiu 1,3% em julho e acumula retração de 8,7% em relação ao mesmo mês de 2025, sendo o único componente da pesquisa a registrar queda na comparação anual. Foi o terceiro recuo consecutivo do indicador, que fechou o mês em 106 pontos.
Embora 48,6% das famílias ainda afirmem estar otimistas quanto ao futuro profissional, esse é o menor percentual registrado desde novembro de 2022.
Já a avaliação da situação atual do emprego permaneceu positiva. O índice de emprego atual avançou 0,4% no mês e 1,5% em relação ao ano passado, chegando a 127,7 pontos. A pesquisa aponta que 42,2% dos entrevistados se sentem seguros em relação ao emprego.
Para a economista da CNC, Catarina Carneiro, o comportamento das famílias demonstra equilíbrio entre aproveitar as oportunidades de consumo e manter prudência diante das incertezas econômicas.
Segundo ela, a redução dos preços dos bens duráveis e a estabilidade do emprego incentivam compras que estavam sendo adiadas. No entanto, a preocupação com renda e mercado de trabalho faz com que os consumidores evitem comprometer excessivamente o orçamento.
O crescimento da intenção de consumo foi puxado principalmente pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos. Nesse grupo, o indicador avançou 0,1% no mês e 2,9% em relação a julho de 2025, alcançando 103,2 pontos.
O resultado foi favorecido pelo aumento de 1,1% no acesso ao crédito e pela desaceleração da inflação medida pelo INPC, que acumulou 4,33% em 12 meses e Como consequência, o nível de consumo atual dessas famílias cresceu 3,8% na comparação anual.
Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, a intenção de consumo ficou estável em 118,2 pontos, interrompendo uma sequência de sete meses de crescimento. O desempenho foi influenciado pela redução no acesso ao crédito e pela piora na perspectiva profissional.
A pesquisa indica que, embora o consumidor brasileiro esteja mais disposto a realizar compras, especialmente de bens duráveis, ainda predomina uma postura de cautela diante das incertezas sobre renda e mercado de trabalho nos próximos meses.
Tags
- Bens Duráveis
- CNC
- consumo
- consumo das famílias
- Crédito
- economia
- Famílias
- famílias brasileiras
- ICF
- inflação
- Intenção
- Intenção de consumo
- intenção de consumo das famílias
- Mercado de Trabalho
Deixe seu comentário