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Segundo análise, cerca de US$ 665 milhões em exportações brasileiras podem ser diretamente afetados. (Fotos: Shutterstock)
A Confederação quer isenção para produtos brasileiros e avanço nas negociações de um acordo comercial entre os dois países
A nova política de proteção às indústrias estratégicas do México já provocou perdas concretas para o setor industrial brasileiro. De acordo com levantamento da CNI, as exportações dos produtos afetados caíram 42,5% no primeiro semestre deste ano em comparação com a média do mesmo período dos três anos anteriores, o que representa US$ 91,5 milhões.
A medida elevou o imposto de importação de 1.463 códigos tarifários, com alíquotas que, em alguns casos, passam de 50%. Com isso, o Brasil se tornou o 5º país mais exposto do mundo entre as economias que não têm acordo de livre comércio com o México.
Segundo a análise, cerca de US$ 665 milhões em exportações brasileiras podem ser diretamente impactados. O efeito é mais forte sobre bens intermediários, que respondem por 78,1% da queda registrada, o que mostra a pressão sobre cadeias produtivas integradas entre os dois países.
Entre janeiro e junho de 2026, dos 171 produtos brasileiros alcançados pela tarifa que foram exportados ao México, 113 tiveram piora no desempenho. Em alguns casos, como tubos de ferro ou aço usados em oleodutos e gasodutos, as vendas chegaram a cair 100%, interrompendo completamente o comércio do item.
A CNI identificou 474 oportunidades comerciais para exportação da indústria de transformação brasileira ao mercado mexicano. Entre os setores com maior potencial estão químicos, máquinas e equipamentos, alimentos, produtos de metal, itens de borracha e plástico e veículos automotores.
Mesmo assim, 456 dessas oportunidades, equivalentes a 90,3%, estão sujeitas a tarifas de importação. A concentração desse entrave em setores como químicos, máquinas e alimentos reduz o aproveitamento do potencial de negócios e reforça a necessidade de avanço nas negociações bilaterais.
Diante do cenário, a CNI defende a isenção dos produtos brasileiros da nova taxação e a retomada do diálogo para um acordo de livre comércio Brasil-México. A entidade avalia que a medida poderia neutralizar os efeitos tarifários e ainda ampliar o comércio, os investimentos e a integração produtiva.
Além disso, a confederação recomenda fortalecer mecanismos de cooperação já existentes, como o reconhecimento mútuo de Operadores Econômicos Autorizados, além de eliminar barreiras no comércio bilateral e ampliar a coordenação regulatória entre os dois países.
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