Documento reúne medidas para reduzir riscos na produção, na logística e no uso de recursos essenciais

A ciência do clima já permite identificar riscos com antecedência suficiente para apoiar decisões no setor produtivo. Com a projeção de que o El Niño possa se estender até o início de 2027, a Confederação Nacional da Indústria lançou um guia com orientações para ajudar empresas a se adaptar à mudança do clima e reduzir perdas causadas por eventos extremos.

O documento reforça que adaptar processos e incorporar informações climáticas ao planejamento deixou de ser apenas uma medida preventiva. Em um contexto de maior exigência ambiental e social no mercado internacional, a continuidade das operações também passou a influenciar competitividade, reputação e acesso a parceiros globais.

De acordo com o levantamento citado pela CNI, cada aumento de 0,1°C na temperatura média global pode causar um impacto de R$ 56 bilhões na economia brasileira. O INMET aponta que o El Niño pode elevar as temperaturas no Centro-Sul e no Sul para patamares entre 30°C e 35°C, com desvios de até 10°C em relação ao esperado para a época do ano.

Diante desse cenário, a recomendação é que as empresas deixem de agir apenas após as perdas acontecerem. O uso de dados climáticos e sistemas de monitoramento em tempo real ajuda a reduzir incertezas, aprimorar o planejamento e tornar a resposta operacional mais rápida e eficiente.

Eixos principais

O guia organiza as orientações em quatro eixos principais. O primeiro é a visibilidade da cadeia de suprimentos, com mapeamento de ativos e fornecedores em áreas sujeitas a riscos hídricos e térmicos. O segundo trata da agilidade logística, com rotas alternativas e estoques de segurança para enfrentar secas, excesso de chuvas e interrupções no transporte.

As outras frentes envolvem a gestão de recursos como água e energia, tratados como ativos estratégicos para a continuidade do negócio, e a análise de dados, que passa a apoiar decisões com mais precisão. A proposta é integrar prevenção, eficiência e capacidade de resposta em toda a operação.

No setor de alimentos, a dependência de chuva, água e estabilidade climática torna a cadeia especialmente vulnerável. O guia recomenda agricultura regenerativa, conservação do solo e da água, além do uso de meteorologia de precisão e agricultura digital para orientar plantio, colheita, irrigação e logística. Também há foco na modernização de silos, armazéns e centros de distribuição.

Na pecuária, sombreamento, manejo do estresse térmico e acesso constante à água limpa são apontados como formas de preservar a produtividade. Já na indústria têxtil, as soluções passam por reuso de água, tratamento de efluentes, máquinas mais eficientes, energia renovável e economia circular, com rastreabilidade e reciclagem de fibras e peças pós-consumo.

Para o setor de óleo e gás, o principal desafio está em ativos expostos no litoral e no mar. Tempestades, ressacas e elevação do nível do mar podem afetar plataformas, refinarias, dutos e terminais. Por isso, o guia sugere reforço de infraestrutura, atualização de critérios de engenharia, dessalinização e reúso de água, além de investimentos em fontes renováveis como a energia eólica offshore.

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