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O desafio do setor agora passa menos pela tecnologia e mais pela disseminação de informação sobre formatos de acesso à energia solar (Fotos: Freepik)
Sem necessidade de instalação de painéis solares, consumidores podem acessar energia solar e obter economia média de 19% na conta de luz
O mercado brasileiro de geração distribuída compartilhada segue em forte expansão. Apenas nos primeiros meses de 2025, o país adicionou mais de 5 GW em sistemas de micro e minigeração distribuída (MMGD), ultrapassando 42 GW de potência instalada em operação, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Atualmente, mais de 5,4 milhões de unidades consumidoras já são beneficiadas pelo modelo.
Apesar do crescimento do setor, muitos consumidores ainda associam a energia solar exclusivamente à instalação de placas fotovoltaicas nos imóveis.
“Não existe, no Brasil, uma cultura consolidada de falar sobre o mercado de energia e suas possibilidades. Por isso, a maioria das pessoas ainda acredita que instalar painéis solares é a única forma de reduzir a conta de luz”, explica Giovanna Bandeira, diretora comercial da Nex Energy, empresa especializada em geração distribuída compartilhada.
Regulamentada pela ANEEL, a modalidade permite que consumidores recebam créditos de energia gerados por usinas solares conectadas à rede elétrica, sem necessidade de instalação física no imóvel.
Segundo a Nex Energy, os clientes alcançam economia média de 19% na fatura, com início do benefício em cerca de 90 dias. Ainda assim, as principais dúvidas seguem relacionadas à legalidade do modelo, ao funcionamento da compensação de créditos e à necessidade — ou não — de equipamentos próprios.
A empresa conta atualmente com mais de 5 mil clientes ativos nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Entre os segmentos com maior adesão estão condomínios, restaurantes, supermercados, centros logísticos, academias, escolas, hotéis, hospitais e empresas do agronegócio. O setor de serviços representa 52% da carteira da companhia, seguido pelo comércio, com 37%.
Para Giovanna Bandeira, o avanço da geração distribuída compartilhada está ligado à busca por previsibilidade de custos diante do aumento recorrente das tarifas de energia elétrica.
“Existe uma percepção de que só economiza quem investe em um sistema próprio. Na prática, muitas empresas querem reduzir despesas sem assumir financiamentos longos, obras ou depender de estrutura física disponível”, afirma.
Hoje, o investimento para instalação de placas solares varia entre R$ 15 mil e R$ 30 mil em residências e pode superar R$ 100 mil em empresas, dependendo do porte da operação. O retorno financeiro costuma ocorrer entre três e oito anos.
O crescimento da geração distribuída compartilhada ocorre também em um momento mais desafiador para o setor solar. Dados da ABSOLAR apontam retração de 40% nos investimentos em 2025, refletindo maior cautela de consumidores e empresas diante do cenário econômico, além de dificuldades de conexão e financiamento.
Com o aumento das tarifas de energia e a busca por alternativas mais previsíveis de consumo, a expectativa do setor é de que a geração distribuída compartilhada ganhe ainda mais espaço nos próximos anos. Para a Nex Energy, o principal desafio agora é ampliar o acesso à informação e mostrar que existem alternativas à energia solar além das placas instaladas no próprio imóvel.
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