A iniciativa prevê investimentos de US$ 150 milhões — sendo US$ 120 milhões financiados pelo Banco Mundial e US$ 30 milhões de contrapartida do Estado — o equivalente a cerca de R$ 750 milhões

O Governo de Santa Catarina lançou na terça-feira (12), em Canoinhas, o SC Rural 2 – Programa de Desenvolvimento Sustentável do Espaço Rural e Pesqueiro de Santa Catarina. A iniciativa prevê investimentos de US$ 150 milhões — sendo US$ 120 milhões financiados pelo Banco Mundial e US$ 30 milhões de contrapartida do Estado — o equivalente a cerca de R$ 750 milhões. A execução está prevista para os próximos seis anos.

O programa tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento sustentável no meio rural e nas comunidades pesqueiras, com foco na geração de renda, inovação, inclusão social e adaptação às mudanças climáticas. A expectativa é beneficiar cerca de 145 mil pessoas, incluindo aproximadamente 48 mil famílias rurais.

O público-alvo inclui agricultores familiares, mulheres agricultoras e pescadoras, jovens rurais e do mar, comunidades indígenas e quilombolas, além de pescadores artesanais. O programa prevê apoio financeiro não reembolsável para mais de 20 mil projetos produtivos, com meta de ampliar em 20% o valor bruto de vendas de empreendimentos e organizações rurais apoiadas.

O governador Jorginho Mello destacou que mais da metade dos recursos será destinada diretamente aos produtores. “É um programa pensado para fortalecer a produção, gerar oportunidades e preparar o campo catarinense para os desafios climáticos e econômicos do futuro”, afirmou.

O SC Rural 2 está estruturado em quatro eixos: conservação ambiental e gestão da água; fortalecimento econômico com incentivo à tecnologia e modernização produtiva; investimentos em infraestrutura, como internet e energia elétrica; além do aperfeiçoamento dos serviços públicos de pesquisa, assistência técnica, governança e inspeção.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o programa foi construído a partir das demandas do setor produtivo. “O SC Rural 2 representa um novo marco para o desenvolvimento rural em Santa Catarina”, afirmou.

A coordenação geral do programa ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), por meio da Diretoria Executiva do SC Rural (DESC). Também participam da execução a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina, o Instituto do Meio Ambiente e a Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca.

O diretor executivo do programa, André Emiliano Uba, ressaltou que os recursos serão destinados diretamente aos produtores e pescadores, buscando fortalecer o desenvolvimento sustentável e ampliar a permanência das famílias no campo e no mar.

Os agricultores interessados em acessar os recursos deverão procurar os escritórios da Epagri, responsáveis pela elaboração e encaminhamento dos projetos.

Resultados do SC Rural 1

O SC Rural 1 teve como foco ampliar a competitividade de empreendimentos da agricultura familiar. Estudos apontaram aumento de 34% na renda líquida de organizações beneficiadas pelo programa.

Entre os resultados alcançados estão a estruturação de 90 redes de cooperação, apoio a 260 projetos de adequação e formalização de empreendimentos rurais, criação de 75 novos empreendimentos da agricultura familiar e legalização de 200 agroindústrias junto ao Serviço de Inspeção Estadual (SIE).

Na área ambiental, foram recuperados 1,2 mil hectares de mata ciliar, enquanto mais de 50 mil usuários de água foram cadastrados em bacias hidrográficas. O programa também recuperou 211 quilômetros de estradas rurais e promoveu capacitação de jovens e produtores rurais.

Um dos exemplos beneficiados foi a cooperativa de embutidos do município de Ouro, da qual participa o produtor André Faccin. Com investimento de cerca de R$ 600 mil a fundo perdido, a cooperativa conseguiu construir a fábrica e adquirir equipamentos para industrialização de produtos derivados da carne suína. Segundo Faccin, os recursos garantiram mais estabilidade econômica para as famílias envolvidas na produção.

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