Com 2,5 mil novos empregos em fevereiro, o estado se destaca nacionalmente e mantém crescimento mesmo diante de juros elevados e desaceleração econômica

 

Santa Catarina segue provando, na prática, que desenvolvimento se constrói com consistência. Em fevereiro, foram 2,5 mil novas vagas formais na construção civil, o segundo maior saldo do país, atrás apenas de São Paulo. O dado, divulgado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) na última terça-feira (31), confirma um movimento que vai além das estatísticas: revela a continuidade na atração de investimentos e na geração de oportunidades.

O dado mais emblemático deste mês está na capilaridade desse crescimento. Quase todas as regiões catarinenses apresentaram saldo positivo, com exceção da Serra, impulsionadas tanto pela construção de edifícios quanto por obras de infraestrutura e montagens industriais. Um retrato claro da diversidade produtiva que sustenta o estado.

Mesmo diante de um cenário nacional marcado pela desaceleração econômica e pelos juros elevados, que encarecem o crédito e freiam investimentos, Santa Catarina segue resiliente. O setor da construção reforça a atratividade do estado para investidores, ampliando projetos residenciais, comerciais e industriais. A expansão de políticas habitacionais, especialmente voltadas à classe média e alta, também contribui para esse avanço.

No litoral do Vale do Itajaí, o movimento é ainda mais intenso. Cidades como Itapema, Balneário Camboriú e Itajaí figuram entre as mais valorizadas do país no preço por metro quadrado, segundo o índice FipeZap. Esse cenário ajuda a explicar a manutenção da demanda por imóveis comerciais e residenciais de médio e alto padrão em regiões que combinam qualidade de vida, proximidade com o mar e proximidade a polos industriais.

Com 1,1 mil novas vagas, o Vale do Itajaí registrou o quarto maior saldo do país no mês e reforça sua capacidade de atrair tanto moradores locais quanto investidores de diferentes regiões do Brasil.

Dentro desse mesmo cenário de expansão regional, o protagonismo também aparece em Navegantes, que apresentou o segundo maior saldo de Santa Catarina no setor. O desempenho é sustentado, principalmente, pelas contratações ligadas a obras portuárias e à montagem de estruturas, o que amplia a visibilidade do município como polo logístico nacional, com investimentos voltados à construção de armazéns, complexos logísticos e à indústria naval.

Na avaliação do vice-presidente regional da Facisc para o Vale do Itajaí, Rinaldo Luiz de Araújo, o desempenho reflete a competitividade da região.

“O Vale do Itajaí se desenvolve apoiado em diferenciais claros, como sua localização estratégica, qualidade de vida e a força logística dos portos de Itajaí e Navegantes. Esses fatores mantêm a região competitiva e em expansão, mesmo diante de desafios econômicos, de mão de obra e de infraestrutura”, destaca Rinaldo.

O Sul catarinense também acompanha esse ritmo de crescimento. Com destaque para as obras de estruturas industriais, a região somou 444 novas vagas na construção em fevereiro, o que resultou no segundo maior saldo do estado. Tubarão se destaca com 217 vagas e o terceiro maior resultado estadual, puxado pela expansão de indústrias representativas na região. Já Forquilhinha avança com 50 vagas, derivadas das obras de infraestrutura rodoviária.

Na mesma linha, o presidente da Associação Empresarial de Tubarão (ACIT), Alexsandro Barbosa, aponta que os números refletem um momento decisivo para o município. “Quando a construção cresce, ela puxa uma cadeia inteira junto. O que estamos vivendo na cidade azul é mais do que geração de empregos, é um ciclo de desenvolvimento que fortalece a indústria e cria novas perspectivas para a população”.

Na Grande Florianópolis, o setor também avançou, com 443 novas vagas, principalmente nas etapas iniciais da construção, como obras de alvenaria e edificações em municípios como Florianópolis, São José e Tijucas. O impulso vem, em parte, das políticas habitacionais estaduais e da ampliação de programas nacionais, que seguem no estímulo ao mercado.

Apesar da desaceleração, os dados de fevereiro apontam para a continuidade da geração de empregos formais em Santa Catarina. Em um cenário nacional de incertezas, esse movimento ganha ainda mais importância na construção, setor historicamente marcado pela informalidade, ao fortalecer a segurança jurídica e ampliar a estabilidade para a população.

Siga-nos no Google notícias

Google News

Tags

  • Caged
  • Emprego
  • empregos
  • indústria
  • Saldo positivo