O recuo sazonal na ocupação em setores como educação e saúde impulsionou o índice, enquanto o rendimento médio chegou a R$ 3.679.

O aumento da desocupação para 5,8% reflete o encerramento de contratos temporários no setor público e na construção civil. Contudo, o mercado demonstra resiliência com a menor taxa para o período desde 2012 e um ganho real histórico no poder de compra.

A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (27). O índice representa 6,2 milhões de pessoas em busca de ocupação, um aumento de 600 mil em comparação ao trimestre anterior.

Apesar do avanço recente, o patamar é o menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012. Segundo o portal ClicRDC, a movimentação foi puxada pela redução de postos de trabalho nos setores de saúde, educação e construção civil, comportamento considerado sazonal para o período.

Causas da desocupação sazonal

A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, explica que a queda na ocupação decorre, majoritariamente, do fim de contratos temporários. O setor público foi um dos mais afetados pela transição de ciclo anual.

"Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, o que impacta diretamente o nível de ocupação", afirmou a especialista do IBGE ao detalhar a saída de 696 mil profissionais das áreas de administração pública, saúde e educação.

  • A população ocupada totalizou 102,1 milhões de pessoas, um recuo de 0,8% (menos 874 mil trabalhadores) no trimestre. Contudo, no confronto anual, o Brasil registra 1,5 milhão de pessoas a mais trabalhando do que no mesmo período de 2025.
  • Administração pública, saúde e educação: perda de 696 mil vagas.
  • Construção civil: redução de 245 mil postos de trabalho.
  • Trabalhadores sem carteira: queda de 342 mil pessoas (total de 13,3 milhões).
  • Emprego formal: estabilidade com 39,2 milhões de carteiras assinadas.

Rendimento médio bate recorde histórico

Em contraste com a alta da desocupação, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.679, o maior nível já registrado na série do IBGE. O valor representa uma alta de 2% no trimestre e de 5,2% em 12 meses.

O instituto associa o crescimento da renda à demanda aquecida por mão de obra e à tendência de formalização em segmentos de comércio e serviços. A taxa de informalidade também cedeu levemente, passando de 37,7% para 37,5% da população ocupada.

Por outro lado, a subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas subocupadas ou em desalento, subiu de 13,5% para 14,1%, atingindo 16,1 milhões de brasileiros. A próxima atualização dos dados de emprego pelo IBGE está agendada para o dia 30 de abril.

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