Planta invasora foi encontrada em propriedade rural de Campo Erê e pode causar grandes prejuízos às lavouras

O caruru-gigante foi identificado pela primeira vez em Santa Catarina, em uma propriedade rural localizada no município de Campo Erê, no Oeste do estado. O registro acendeu o alerta das autoridades agrícolas devido ao alto potencial de disseminação da planta invasora, considerada uma das mais agressivas para a agricultura.

A confirmação do foco mobilizou equipes da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), que iniciou imediatamente ações de controle para evitar que a espécie se espalhe para outras áreas produtivas.

Planta pode produzir mais de 1 milhão de sementes

O caruru-gigante chama atenção pela elevada capacidade de reprodução e pela facilidade de propagação. Segundo especialistas, uma única planta pode gerar entre 200 mil e 500 mil sementes, podendo ultrapassar 1 milhão de sementes, o que favorece a rápida infestação em áreas agrícolas.

Devido a essas características, a planta é classificada no Brasil como praga quarentenária presente, exigindo monitoramento constante por parte das autoridades sanitárias.

A espécie foi registrada pela primeira vez no país em 2015, no estado de Mato Grosso. Posteriormente, houve ocorrências em Mato Grosso do Sul em 2022, em São Paulo no início de 2026 e, agora, em Santa Catarina.

Prejuízos podem chegar a 90% da produção

Durante os períodos mais quentes do ano, a planta encontra condições ideais para crescer rapidamente e competir com culturas agrícolas por água, luz e nutrientes.

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) alertam que o avanço do caruru-gigante pode provocar impactos significativos na produção agrícola.

De acordo com os especialistas Dionisio Luiz Pisa Gazziero e Fernando Storniolo Adegas, a presença da planta invasora pode reduzir a produtividade de culturas como soja, milho e algodão em até 80% a 90%, caso não haja controle adequado.

Equipes técnicas atuam na erradicação da planta

A presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, informou que uma força-tarefa foi mobilizada para conter a disseminação da planta invasora.

Mais de 10 engenheiros agrônomos, além de equipes técnicas especializadas, estão atuando no protocolo de controle e erradicação da praga na região onde o foco foi identificado.

Entre as medidas adotadas estão:

interdição da área afetada;
eliminação das plantas encontradas;
monitoramento de propriedades vizinhas.
Máquinas agrícolas podem espalhar a praga

Segundo a Cidasc, o principal meio de disseminação do caruru-gigante ocorre por meio de máquinas e implementos agrícolas contaminados.

Para reduzir o risco de propagação, os produtores devem adotar algumas medidas preventivas:

realizar a limpeza rigorosa de máquinas agrícolas;
utilizar sementes certificadas;
monitorar frequentemente as lavouras.
Produtores devem comunicar suspeitas

A orientação para agricultores e técnicos agrícolas é redobrar a atenção nas lavouras. Caso haja suspeita da presença da planta invasora, a recomendação é comunicar imediatamente a Cidasc para que as equipes possam realizar a verificação e iniciar os procedimentos necessários.

As notificações podem ser feitas diretamente nos escritórios regionais da companhia ou pelo e-mail [email protected]r

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