Segundo a federação, o impacto decorreria do aumento do custo da hora trabalhada e, consequentemente, da elevação da folha salarial das empresas.

Diversos setores da economia vêm elaborando estudos sobre os impactos de uma eventual redução da jornada de trabalho. No cenário mais provável atualmente em debate no Congresso Nacional, está prevista a diminuição da carga semanal de 44 para 40 horas, além da proibição da escala 6x1.

Levantamento exclusivo realizado pela Fecomércio SC estima que a mudança poderá resultar na perda de pouco mais de 27 mil empregos formais em Santa Catarina, considerando apenas o setor terciário, que engloba comércio, serviços e turismo. Desse total, cerca de 13,6 mil postos seriam no comércio — proporcionalmente o segmento mais afetado — e 13,7 mil nos serviços, que incluem também o turismo.

Segundo a federação, o impacto decorreria do aumento do custo da hora trabalhada e, consequentemente, da elevação da folha salarial das empresas. A entidade projeta um acréscimo de 9,4% no valor da hora trabalhada no comércio e de 6,9% no setor de serviços.

O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, afirma que o impacto será mais severo para os pequenos negócios, nos quais a folha de pagamento representa parcela proporcionalmente maior dos custos. Ele avalia que, para manter as operações nos moldes atuais, as empresas teriam de contratar mais funcionários ou recorrer ao pagamento de horas extras.

“Muitos negócios, infelizmente, não terão como absorver mais esse aumento de custos. E o consumidor precisa saber que haverá repasse dessas despesas adicionais. A Confederação Nacional do Comércio fez um estudo que estima impacto de até 13% nos preços. Tudo vai ficar mais caro. O Brasil ainda não está preparado para que uma mudança dessas seja imposta por legislação”, afirma Dagnoni.

A Fecomércio SC, assim como a Confederação Nacional do Comércio, defende que eventuais reduções na jornada ocorram por meio de negociação coletiva.

Destaques entre os subsetores

O estudo aponta que o setor de supermercados, por exemplo, está entre os mais impactados, já que atualmente mais de 93% dos trabalhadores cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. No segmento, o aumento do custo da hora trabalhada chega a 10,6%, acima da média estadual. Os supermercados estão enquadrados no grupo do comércio varejista não especializado, que contribui com quase um quarto do aumento do custo médio entre todos os segmentos do comércio.

A Fecomércio SC também desenvolveu uma ferramenta, disponível no site da entidade, por meio da qual o empresário pode verificar o aumento no custo da hora trabalhada em seu negócio, com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A plataforma permite consultar o impacto em todos os subsetores do comércio e dos serviços.

No caso das lojas de materiais de construção, o aumento no custo da hora trabalhada é estimado em 9,7%, enquanto, nas farmácias, o percentual chega a 8,7%. Nos serviços, o segmento mais afetado é o de transporte rodoviário de cargas, com alta projetada de 9,7%

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