O nível de endividamento das famílias catarinenses se manteve praticamente estável em janeiro, chegando a 72,9%, uma leve retração de 0,2 ponto percentual em relação ao mês imediatamente anterior.

O ano começou com um alívio nas contas atrasadas para parte dos catarinenses. A taxa de inadimplência, medida mensalmente pela Fecomércio SC em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), caiu 1,6 ponto percentual e atingiu 29,8% das famílias. Trata-se do terceiro mês consecutivo de redução do índice, que superou 33% em outubro.

O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, destaca que a queda da inadimplência é sazonalmente comum em janeiro, visto que muitas famílias utilizam o 13º salário e outras rendas de fim de ano para quitar dívidas. Apesar disso, ele lembra que o indicador está 7,7 pontos percentuais acima do registrado em janeiro de 2025.

“É bom ver que a inadimplência está em queda. No ano passado, tivemos uma sequência de sete altas consecutivas, e a taxa chegou a um patamar recorde em outubro. Os juros ainda estão muito altos, mas devem começar a cair em breve, o que ajudará o cenário econômico como um todo”, afirma Dagnoni.

Historicamente, o índice de inadimplência em Santa Catarina gira em torno de 22%. Atualmente, a taxa no estado está acima da média nacional, que ficou em 29,3% em janeiro. A economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti, afirma que a capacidade de pagamento de muitas famílias foi comprometida nos últimos 12 meses em razão de um cenário macroeconômico adverso. Além dos juros elevados, a inflação também ficou acima da meta na maior parte do ano passado.

“Agora, o cenário é de queda também da inflação, o que ajuda. Apesar disso, janeiro registrou aumento no número de famílias que afirmam não ter condições de pagar as contas atrasadas, percentual que subiu para 11,5% no estado. É algo que precisa ser acompanhado, pois também está consideravelmente acima do registrado no começo do ano passado”, diz Edilene.

Endividamento estável

O nível de endividamento das famílias catarinenses se manteve praticamente estável em janeiro, chegando a 72,9%, uma leve retração de 0,2 ponto percentual em relação ao mês imediatamente anterior. A economista da Fecomércio lembra que ainda há dependência do crédito, especialmente para o consumo de bens de maior valor agregado. Ela ressalta que a taxa atual está quase 7 pontos percentuais acima da registrada em fevereiro de 2020, último mês antes da pandemia de Covid-19.

“O endividamento não deve ser considerado algo ruim por si só, pois reflete a intenção de consumo das famílias. Porém, com os juros altos, é preciso ter cuidado ao contrair novas dívidas, garantindo que haverá condições de honrar os pagamentos”, afirma Edilene.

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