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Estado apresentou desempenho relativamente melhor em motocicletas e uma queda levemente menor nos veículos leves. (Fotos: Divulgação)
Houve queda menos intensa nos automóveis e comerciais leves.
O mercado de veículos em Santa Catarina começou 2026 sob maior pressão do que a média nacional, com retração mais acentuada nos segmentos de caminhões e ônibus. Em contrapartida, o estado apresentou desempenho relativamente melhor nas vendas de motocicletas e uma queda menos intensa nos automóveis e comerciais leves.
Os dados de janeiro indicam que o ajuste mais forte nos veículos pesados está associado à postergação de investimentos pelas empresas e ao custo ainda elevado do crédito corporativo. Já as motocicletas seguem como destaque positivo, impulsionadas pelo menor valor de aquisição, baixo custo operacional e uso intensivo para trabalho e mobilidade urbana. Nos veículos leves, o recuo foi inferior ao observado no país, sinalizando maior resiliência do consumidor catarinense.
Desempenho regional
A análise do Sincodiv-SC/Fenabrave revela comportamento desigual entre as regiões do estado, com melhor desempenho no litoral e quedas mais expressivas no interior.
A Grande Florianópolis liderou o desempenho relativo, com 4.154 unidades emplacadas. Apesar da retração de 28,9% frente a dezembro, houve crescimento de 18,1% na comparação anual, a melhor variação entre as regiões catarinenses.
O Vale do Itajaí, maior mercado em volume, registrou 4.589 unidades. A queda mensal foi de 28,3%, enquanto a variação anual mostrou estabilidade, com recuo de apenas 0,9%, indicando um mercado ainda sólido, apesar do ajuste de curto prazo.
No Norte do estado, foram emplacadas 2.419 unidades, com retração de 31,8% no mês e de 7,6% no ano. O Oeste contabilizou 2.377 unidades, com quedas de 32,6% em relação a dezembro e de 14,0% na comparação anual.
A região Sul somou 1.791 unidades, com recuo mensal de 35,3% e queda anual de 13,9%. O Planalto Serrano apresentou o menor volume, com 487 unidades, e o desempenho mais fraco, com retrações de 37,1% no mês e de 14,4% no ano.
O cenário reforça a maior capacidade de reação das regiões litorâneas, enquanto Oeste, Sul e Planalto Serrano foram mais impactados, influenciados pela desaceleração do agronegócio, da indústria de transformação e pela maior dependência de crédito para veículos pesados.
Fatores sazonais e perspectivas
Especialistas apontam que o desempenho de janeiro reflete fatores sazonais típicos do início do ano, como concentração de despesas com impostos, licenciamento e gastos escolares, além do efeito estatístico de um dezembro tradicionalmente aquecido por campanhas comerciais e fechamento de metas.
Para o primeiro trimestre, a expectativa é de recuperação gradual. A tendência de suavização das taxas de juros ao longo de 2026 pode destravar parte da demanda reprimida, especialmente em automóveis e comerciais leves. A normalização do orçamento das famílias também tende a favorecer a retomada do fluxo nas concessionárias nos próximos meses.
No segmento de pesados, a avaliação é de retomada mais lenta, condicionada à conclusão dos orçamentos empresariais, renegociação de crédito e reativação dos planos de renovação de frota.
Segundo o presidente do Sincodiv-SC e diretor regional da Fenabrave em Santa Catarina, Alfredo Breitkopf, janeiro confirmou o padrão clássico de início de ano. “Consumidores e empresas priorizam impostos e despesas sazonais, o que reduz a intenção de compra, especialmente em caminhões e ônibus. Ainda assim, observamos resiliência, com destaque para as motocicletas e desempenho melhor que a média nacional em autos e comerciais leves”, afirma.
O diretor executivo do Sincodiv-SC, Piter Santana, destaca que a entidade prepara ações coordenadas para apoiar o setor. “Em março, lançaremos a agenda ‘Conecta para Evoluir’, com eventos regionais, capacitação e integração do setor, além do 17º Congresso Estadual e do 2º Encontro Sul-Brasileiro da Distribuição de Veículos. O foco é pessoas, processos e resultados, buscando acelerar a retomada já no primeiro semestre”, conclui.
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