Relatório do Banco Central aponta volume de saques superior aos depósitos em cenário de juros restritivos e busca por maior rentabilidade.

A retirada líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro reflete a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, o que desestimula a caderneta frente a investimentos mais rentáveis. O Banco Central sinaliza redução dos juros para março, visando controlar o IPCA acumulado em 4,26%.

Cenário de fluxo de capital na caderneta de poupança

O Banco Central (BC) divulgou, nesta sexta-feira (6), o relatório de movimentação da caderneta de poupança referente ao mês de janeiro. Os dados revelam que o sistema registrou mais saques do que depósitos, resultando em uma saída líquida de R$ 23,5 bilhões. Durante o período, as aplicações totalizaram R$ 331,2 bilhões, enquanto as retiradas alcançaram a cifra de R$ 354,7 bilhões.

Apesar do fluxo negativo, os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,4 bilhões no mês, mantendo o saldo total da poupança ligeiramente acima da marca de R$ 1 trilhão. Este comportamento consolida uma tendência observada nos últimos anos, conforme detalhado abaixo:

  • 2023: Retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões.
  • 2024: Retiradas líquidas de R$ 15,5 bilhões.
  • Saldo negativo anual (exercício anterior): R$ 85,6 bilhões.

Impacto da política monetária e da taxa Selic

Analistas técnicos e a autoridade monetária atribuem a continuidade dos saques à manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu o ciclo de elevações em julho do ano passado, mantendo os juros em patamares restritivos para convergir a inflação à meta de 3%.

"Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida; e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança", destaca o relatório contextual sobre a dinâmica de preços. Entretanto, na prática, a Selic elevada favorece outros ativos de renda fixa que oferecem prêmios superiores à caderneta.

Inflação e projeções para o mercado financeiro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), balizador oficial da inflação, registrou alta de 0,33% em dezembro, impulsionado pelos setores de transportes e passagens aéreas. O índice acumulado em 2025 fechou em 4,26%.

De acordo com a ata da última reunião do Copom, o Banco Central confirmou a intenção de iniciar a flexibilização monetária com cortes de juros na reunião agendada para março. Contudo, a autarquia não especificou a magnitude da redução, ressaltando que a política continuará rigorosa para garantir a estabilidade monetária.


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