A queda dos juros futuros sinaliza confiança externa em ativos brasileiros, mitigando pressões locais. Com a Selic estável em 15% no curto prazo, o mercado agora foca na probabilidade de cortes graduais a partir de março, impulsionados pela melhora no fluxo cambial.

Fechamento do mercado de juros

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão desta sexta-feira, 23 de janeiro, em trajetória descendente. O movimento foi mais acentuado nos contratos de longo prazo, ocorrendo simultaneamente ao avanço expressivo da bolsa de valores brasileira, impulsionado pela atuação de investidores estrangeiros na compra de ativos domésticos.

No encerramento da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2028 foi fixada em 13,015%, representando uma queda de 1 ponto-base em relação ao ajuste anterior de 13,027%. Já o contrato para janeiro de 2035 encerrou em 13,595%, com recuo de 6 pontos-base frente aos 13,651% da sessão precedente.

Fatores de influência e fluxo estrangeiro

Segundo operadores consultados, a ausência de notícias domésticas negativas permitiu que investidores adotassem a estratégia de comprar ações e vender taxas longas nos DIs, movimento tecnicamente apelidado de "pacote Brasil". Este cenário foi favorecido por:

  • Rotação global de portfólios internacionais;
  • Alívio das tensões geopolíticas relacionadas à Groenlândia, após o anúncio de acordo pelo presidente dos EUA, Donald Trump;
  • Acomodação dos rendimentos dos Treasuries norte-americanos, com o título de dez anos operando em estabilidade a 4,251%.

Cenário corporativo e fiscal

O dia também foi marcado por ações da Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão contra autoridades do Rioprevidência para investigar irregularidades vinculadas ao Banco Master. Em resposta, o Banco Central emitiu nota oficial esclarecendo que seu diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, não recomendou a aquisição de carteiras fraudadas pela instituição financeira.

Projeções para a taxa Selic

No âmbito da política monetária, o mercado mantém a precificação de manutenção da taxa Selic em 15% na reunião do Copom da próxima semana. Contudo, as expectativas para março divergem. Dados do mercado de opções da B3 indicam:

  • 36,50% de probabilidade de corte de 25 pontos-base em março;
  • 32,25% de chance de redução de 50 pontos-base;
  • 25,10% de probabilidade de manutenção da taxa.

Conforme nota do economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, a expectativa é que o ciclo de flexibilização monetária tenha início em março, ganhando tração nos meses subsequentes.

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