Daniel Vorcaro afirmou que a fiscalização do Banco Central sugeriu a venda do Banco Master ao BRB para fortalecer o sistema financeiro. O banqueiro negou fraudes de R$ 12 bilhões e atribuiu a crise de liquidez a mudanças regulatórias no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a Diretoria de Fiscalização do Banco Central (BC) recomendou a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Durante a oitiva, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 30 de dezembro de 2025, o banqueiro negou qualquer tipo de fraude ou "facilitação política" no processo.

Questionado pela delegada Janaína Palazzo sobre a viabilidade do negócio, Vorcaro rebateu a tese de que teria vendido carteiras de crédito falsas ao BRB. Segundo ele, a operação permitiria ao banco regional ganhar abrangência nacional e competir com grandes instituições brasileiras. "Esse negócio foi recomendado por diversas auditorias, pela própria fiscalização do Banco Central", declarou.

Contexto da crise e regulação do FGC

O Banco Master sofreu liquidação extrajudicial decretada pelo BC em 18 de novembro, data em que Vorcaro chegou a ser preso sob suspeita de fraudes bilionárias. Atualmente, o executivo responde ao processo em liberdade, sob medidas cautelares. O BC já havia rejeitado a compra pelo BRB em setembro, alegando falta de capacidade financeira para a transação.

Sobre a saúde financeira da empresa, Vorcaro admitiu uma crise de liquidez, mas alegou que a instituição sempre foi solvente. Ele atribuiu as dificuldades a mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), motivadas por pressão de bancos concorrentes, o que teria prejudicado o plano de negócios estabelecido desde 2018.

Envolvimento político e resposta do Banco Central

Durante o interrogatório, o banqueiro negou ter solicitado apoio ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para viabilizar a venda. Vorcaro afirmou que seus encontros com o governador foram estritamente técnicos, ressaltando que, se houvesse facilitação, a venda não teria sido barrada pela autoridade monetária.

  • Fraude investigada: A PF apura operações suspeitas que somariam R$ 12 bilhões.
  • Posição do BC: A autarquia informou que o diretor Ailton Aquino identificou "inconsistências" e conduziu investigações rigorosas sobre o caso.
  • Mensagens: O jornal O Globo relatou mensagens de Aquino ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, tratando da compra de carteiras do Master.

Em nota, o Banco Central reiterou que seu diretor de Fiscalização nunca recomendou a aquisição de ativos fraudados e que Aquino disponibilizou seus sigilos bancário e fiscal para as autoridades. O objetivo da renúncia ao sigilo é esclarecer a natureza das conversas mantidas com a gestão do BRB.

 

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