A valorização do real reflete o movimento de rotação global de investidores saindo de índices como S&P e Nasdaq devido a tensões diplomáticas dos EUA. No Brasil, o fluxo estrangeiro é impulsionado pelo carry trade e pela percepção de maior competitividade na sucessão presidencial.

O dólar à vista opera com baixa ante o real nesta quarta-feira (21), em meio a um processo de continuidade de busca de investidores por ativos fora dos Estados Unidos. O movimento ocorre diante da tensão diplomática entre o país e a Europa.

Às 13h45, o dólar à vista operava em baixa de 1,08%, aos R$ 5,323 na venda. O dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — recuava 1,04% na B3, aos R$ 5,336. Na terça-feira, o dólar fechou cotado a R$ 5,3802, em alta de 0,29%.

Tensão internacional e fuga de capital dos EUA

O real se valoriza com a migração de recursos dos EUA para países emergentes como o Brasil, atraindo fluxo estrangeiro. Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, afirma que investidores estão se afastando dos índices S&P e Nasdaq devido à postura de Donald Trump com parceiros da Otan. "Isso pode estar acelerando o processo de rotação global", avalia.

Marcio Riauba, head da Mesa de Operações da StoneX, aponta que o movimento de fuga de ativos americanos beneficia o carry trade no Brasil. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, reforça que o pano de fundo local é construtivo, com entrada relevante de capital em ativos brasileiros.

Impacto da pesquisa eleitoral e cenário político

Traders também repercutem a pesquisa Atlas, que indicou a competitividade do senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o levantamento indica redução da diferença entre Lula e possíveis candidatos da direita, como Flávio ou Tarcísio de Freitas.

A percepção de uma eleição mais competitiva contribui para a baixa do dólar e alta dos mercados, conforme Mollo. Em paralelo, o presidente Donald Trump afirmou em Davos que quer abrir “negociações imediatas” para a aquisição da Groenlândia, classificando como “burrice” a decisão histórica de devolver o território à Dinamarca.

Liquidação da Will Financeira pelo Banco Central

Agentes monitoram ainda os desdobramentos da liquidação da Will Financeira pelo Banco Central (BC). Segundo a autoridade monetária, a medida ocorreu “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”.


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