Faturamento industrial sobe 1,2% em nov/2025, mas emprego cai 0,2% pelo 3º mês, diz CNI. Juros altos freiam contratações apesar de atividade pontual melhor. UCI em 77,5%; massa salarial anual -2,3%. Perspectiva de desaceleração exige planejamento.

A indústria de transformação no Brasil deu um suspiro de alívio em novembro de 2025, com o faturamento real subindo 1,2% em relação a outubro. Mas será que isso basta para animar o setor? Não exatamente: o emprego industrial caiu 0,2% pelo terceiro mês consecutivo, segundo os Indicadores Industriais divulgados nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esses números revelam um cenário contraditório, onde a atividade dá sinais pontuais de recuperação, mas o mercado de trabalho sente o peso dos juros altos e da demanda mais fraca.

Os dados da CNI pintam um quadro de desaceleração gradual. Você pode se perguntar: por que o emprego não acompanha o faturamento? A resposta está no aperto monetário, com a taxa Selic em alta desde o ano passado, que esfriou a economia e adiou contratações.

Números chave do setor em novembro de 2025

Vamos aos fatos principais, direto da pesquisa da CNI:

  • Faturamento real: +1,2% ante outubro, mas acumulado no ano de apenas +0,3%.

  • Emprego industrial: -0,2% no mês, com recuo acumulado de 0,6% desde setembro; no ano, ainda +1,7% de janeiro a novembro.

  • Horas trabalhadas na produção: -0,7% em novembro, mas +0,9% no acumulado anual.

  • Utilização da Capacidade Instalada (UCI): Caiu 0,6 ponto percentual, para 77,5% – 2,4 pontos abaixo de novembro de 2024.

Esses indicadores mostram uma indústria que patina. O faturamento cresceu no mês, mas o uso de capacidade instalada reflete ociosidade nas fábricas, o que pesa nas decisões de hiring.

Impacto dos juros no mercado de trabalho

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica o fenômeno com clareza: "Somente após meses de resultados mais fracos da atividade industrial, o emprego passou a ser afetado". Ele destaca que demissões e recontratações custam caro, especialmente para mão de obra qualificada. Na prática, as empresas seguram vagas enquanto a Selic elevada encarece o crédito e reduz a demanda por produtos.

Outros dados do emprego confirmam o alívio pontual, mas o ano é de perdas:

Indicador Variação em Novembro Acumulado no Ano (jan-nov)
Massa salarial real +1,5% -2,3%
Rendimento médio real +1,6% -4,0%
 

Esses números sugerem que, mesmo com ganhos mensais, os trabalhadores industriais enfrentam rendimentos menores no geral. Para o trabalhador comum, isso significa: menos poder de compra e incerteza sobre o futuro do emprego.

O que esperar para a indústria em 2026?

A perda de fôlego é clara no segundo semestre de 2025, com juros altos e demanda enfraquecida. A CNI alerta que o crescimento do faturamento foi modesto no ano todo, reforçando expectativas de ritmo mais lento. Mas há otimismo cauteloso: se a Selic cair, como projetam economistas, o emprego pode se recuperar.

E você, como vê isso afetando sua região ou setor? Indústrias de São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, sentem mais o impacto. Ficar de olho nesses dados ajuda a planejar: para empresários, é hora de focar em eficiência; para trabalhadores, investir em qualificação. Os Indicadores Industriais da CNI são uma fonte confiável para navegar essa realidade – acesse o relatório completo aqui para mais detalhes.

 

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