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BBAS3, BBDC4 e ITUB4: o que o mercado espera dos bancos em 2026 (Fotos: Infomaney)
Em 2026, BBAS3, BBDC4 e ITUB4 atuam em cenário ainda favorável aos bancos, com crédito crescendo perto de 9,5% ao ano e qualidade de ativos estável. O mercado monitora Selic, risco fiscal e eleições, enquanto Itaú segue como referência, Bradesco busca consolidar a recuperação e Banco do Brasil carrega maior sensibilidade política.
Em 2026, o consenso entre grandes casas de análise é que o setor bancário brasileiro segue em terreno relativamente favorável, com crescimento de crédito moderado, margens ainda apoiadas por juros altos e riscos monitorados, mas não fora de controle. Ao mesmo tempo, o investidor olha para as ações com mais calma após fortes valorizações em 2025, o que explica o movimento de lateralização de preços neste início de ano.
Contexto macro: Selic, crédito e eleições
A visão de um 2026 “sólido” para bancos parte da combinação de três vetores: mercado de trabalho ainda resiliente, estímulos fiscais à renda e novas modalidades de crédito, como o consignado privado, que ajudam a sustentar a demanda por financiamento mesmo com juros elevados. Relatórios recentes de bancos de investimento falam em crescimento de crédito próximo de 9,5% ao ano no Brasil, nível considerado saudável para manter receitas sem pressionar demais a inadimplência.
A Selic permanece em patamar restritivo, o que mantém o custo do crédito elevado, mas, ao mesmo tempo, protege as margens financeiras das instituições, já que boa parte dos produtos é atrelada aos juros básicos. Do lado político, as eleições gerais previstas para o segundo semestre de 2026 tendem a aumentar a volatilidade na Bolsa: investidores avaliam se o próximo governo vai atacar o problema fiscal, ponto visto como decisivo para a trajetória futura da Selic e, por consequência, do desempenho de bancos e da renda variável como um todo.
O que o Goldman Sachs e outros analistas projetam
Entre as casas estrangeiras, o Goldman Sachs destaca os bancos brasileiros como parte do grupo de instituições mais robustas da América Latina, com valuations considerados razoáveis frente à qualidade dos balanços. Para 2026, o banco projeta avanço significativo de lucros em alguns nomes e vê a qualidade dos ativos “amplamente estável”, com inadimplência em patamar administrável.
Nas recomendações, o Itaú Unibanco (ITUB4) aparece como uma das preferências, sustentado pela capacidade de entregar retorno sobre patrimônio (ROE) elevado, forte geração de capital e pagamento consistente de dividendos. Já Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) costumam figurar com visão mais neutra em boa parte dos relatórios, refletindo, respectivamente, o peso do controle estatal e o processo de ajuste operacional após um período de resultados pressionados.
Desempenho em 2025 e início de 2026
O ano de 2025 foi bastante positivo para as ações de Itaú e Bradesco, com avanços robustos após um longo período de desconto do setor bancário na Bolsa. Em contrapartida, o Banco do Brasil acabou ficando para trás, com queda de preço, o que alterou o ranking de bancos por valor de mercado e chamou atenção para a diferença de percepção de risco entre as instituições.
Já em 2026, o movimento inicial é de acomodação: depois de fortes altas, parte dos ganhos é devolvida ou os papéis passam a negociar de lado, respeitando faixas mais claras de suporte e resistência nos gráficos diários. Esse comportamento costuma indicar que o mercado aguarda novos gatilhos — como sinais mais firmes sobre Selic, dados de inadimplência e definições eleitorais — antes de retomar movimentos de tendência mais forte.
BBAS3 em 2026: preço, fundamentos e pontos de atenção
No caso de Banco do Brasil, o desafio tem sido conciliar bons números operacionais com o desconto historicamente associado ao controle estatal. Em 2025, BBAS3 foi a única entre as grandes instituições a registrar queda de valor de mercado, o que reforçou a percepção de que o papel carrega um “prêmio de risco político” maior do que os pares privados.
Em 2026, o monitoramento sobre BBAS3 tende a se concentrar em três frentes: evolução da carteira de crédito (especialmente segmentos mais sensíveis a ciclos econômicos), política de dividendos diante das demandas do controlador e eventual influência do cenário eleitoral nas decisões estratégicas do banco. Na prática, qualquer sinal de interferência política que comprometa rentabilidade, governança ou alocação de capital costuma ser rapidamente precificado pelo mercado.
BBDC4 em 2026: reconstrução de confiança
Bradesco vem de um ciclo de ajustes importante após enfrentar pressão em margem financeira e aumento de provisões para calotes em anos recentes, o que corroeu parte da confiança dos investidores. A forte alta de BBDC4 em 2025 refletiu em boa medida a expectativa de que o pior já tenha ficado para trás e que o banco consiga entregar uma trajetória mais consistente de lucro e eficiência.
Para 2026, o foco em Bradesco está em indicadores como custo de risco (quanto o banco provisiona para inadimplência), evolução da carteira de pessoa física e performance das operações de seguros, uma das principais fontes de resultados do grupo. Se esses números confirmarem melhora gradual, o mercado tende a enxergar espaço para manutenção ou ampliação dos ganhos, embora o papel ainda seja tratado com cautela em parte das recomendações.
ITUB4 em 2026: referência de qualidade
Itaú Unibanco costuma ser visto como uma espécie de “porto seguro” dentro do universo de bancos listados, pela combinação de rentabilidade elevada, diversificação de receitas e histórico de execução consistente. Relatórios recentes projetam ROE em torno de 26% para 2026, com dividend yield estimado perto de 8%, sustentado por forte geração de capital e disciplina na gestão de riscos.
Do ponto de vista estratégico, o mercado acompanha iniciativas como expansão de plataformas digitais, reforço em serviços de investimentos (como a plataforma íon) e a capacidade do banco de reagir à concorrência de fintechs e novos entrantes. Enquanto isso, na Bolsa, ITUB4 tende a negociar com múltiplos mais altos do que BBAS3 e BBDC4, justamente por carregar o rótulo de banco de maior qualidade e previsibilidade.
Comparação entre BBAS3, BBDC4 e ITUB4
| Aspecto | BBAS3 (Banco do Brasil) | BBDC4 (Bradesco PN) | ITUB4 (Itaú Unibanco PN) |
|---|---|---|---|
| Controle | Banco de economia mista, com União como acionista relevante. | Banco privado tradicional de grande porte. | Maior banco privado do país, com base diversificada. |
| Desempenho em 2025 | Único grande banco com queda de valor de mercado. | Forte valorização após ciclo de ajustes. | Alta expressiva com resultados sólidos. |
| Percepção de risco | Maior sensibilidade a risco político.? | Em reconstrução de confiança pós-pressão em resultados. | Visto como referência de qualidade e execução. |
| Foco do mercado em 2026 | Governança, política de dividendos, risco eleitoral. | Custo de risco e retomada de eficiência. | Manutenção de ROE alto e defesa contra fintechs. |
| Múltiplos na Bolsa | Geralmente negociado com desconto vs. pares privados. | Múltiplos intermediários, ainda com prêmio de incerteza. | Costuma negociar com prêmio por qualidade. |
Para o investidor de varejo, essa comparação ajuda a entender que não existe um “melhor banco” universal, mas perfis diferentes de risco e retorno: BBAS3 tende a ser mais sensível ao noticiário político, BBDC4 ainda busca consolidar a virada e ITUB4 oferece maior previsibilidade em troca de um preço mais alto por lucro. Na prática, o posicionamento em cada papel depende de horizonte de investimento, tolerância a volatilidade e visão sobre eleições e juros.
Riscos e oportunidades para 2026
Entre os principais riscos para o setor, analistas citam: deterioração mais forte da qualidade de crédito em caso de desaceleração econômica, surpresas negativas na política fiscal que mantenham a Selic alta por mais tempo e eventuais mudanças regulatórias que afetem capital, provisões ou modelos de negócio. A incerteza eleitoral também pode gerar períodos de forte oscilação nas ações, principalmente em bancos com maior exposição a decisões do governo.
Do lado das oportunidades, o avanço do Open Finance, a portabilidade de crédito mais simples e a digitalização de serviços bancários tendem a abrir espaço para ganhar eficiência e oferecer produtos mais ajustados ao perfil de cada cliente. Além disso, se o cenário fiscal for endereçado e a queda da Selic se tornar mais firme no pós-eleição, bancos podem se beneficiar tanto de maior demanda por crédito quanto de uma reprecificação positiva de ativos de risco na carteira.
O que o investidor deve observar na prática
Na prática, quem pensa em investir ou manter posição em BBAS3, BBDC4 ou ITUB4 em 2026 pode acompanhar alguns pontos chave nos próximos trimestres:
- Resultados trimestrais: evolução de lucro, ROE, margem financeira e despesas de provisão ajudam a entender se o banco está ganhando ou perdendo fôlego.
- Indicadores de crédito: níveis de inadimplência, renegociações e crescimento de carteiras específicas (consignado, imobiliário, PJ) indicam a qualidade dos ativos.
- Política de dividendos: anúncios de dividendos e juros sobre capital próprio são relevantes para quem busca fluxo de renda com ações de bancos.
- Noticiário econômico e político: falas sobre fiscal, Selic e eleições costumam impactar mais rapidamente bancos listados, especialmente em janelas de maior incerteza.
Uma dica útil para quem está começando é não olhar apenas para o preço diário das ações, mas para o conjunto de informações que cada banco divulga ao longo do tempo; isso ajuda a diferenciar ruído de mudanças estruturais, o que é fundamental para tomar decisões mais conscientes sobre manter, aumentar ou reduzir exposição ao setor bancário.
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