Em nov/2025, volume de serviços caiu 0,1% (quase recorde, +20% pré-pandemia), mas cresceu 2,7% em 12 meses; receita +7,4% (IBGE). TI e transportes lideram, SP impulsiona regiões. Turismo +5% no ano. Sinais de recuperação sólida, com vagas em digital e logística.

O setor de serviços fechou novembro de 2025 quase no topo da série histórica e segue como um dos principais motores da economia brasileira, apesar de uma leve queda na margem. Ao mesmo tempo, o turismo, o transporte de passageiros e os serviços ligados à tecnologia da informação mostram um quadro de recuperação consistente em relação ao período pré-pandemia.

Panorama geral do setor de serviços

Em novembro, o volume de serviços recuou 0,1% frente a outubro, na série com ajuste sazonal, após ter alcançado recorde histórico no mês anterior. Mesmo com essa pequena correção, o setor permanece cerca de 20% acima do nível observado em fevereiro de 2020, antes da crise sanitária.

Na comparação com novembro de 2024, o volume cresceu 2,5%, registrando o vigésimo resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. No acumulado entre janeiro e novembro de 2025, e também nos últimos 12 meses, a expansão do volume foi de 2,7%, enquanto a receita nominal avançou 7,5% no ano e 7,4% em 12 meses, indicando aumento real de faturamento acima do crescimento físico dos serviços.

Indicadores gerais do setor de serviços (Brasil)

Indicador Variação (%) Observação
Nov/25 vs Out/25 (volume, sazonal) -0,1 Leve ajuste após recorde histórico
Nov/25 vs Out/25 (receita nominal) 0,6 Faturamento ainda em alta
Nov/25 vs Nov/24 (volume) 2,5 20º resultado positivo seguido
Acumulado jan-nov 2025 (volume) 2,7 Mesmo ritmo dos últimos 12 meses
Últimos 12 meses (volume) 2,7 Crescimento contínuo
Últimos 12 meses (receita nominal) 7,4 Receita cresce mais que o volume
Nível vs pré-pandemia (fev/2020) +20,0 Setor bastante acima do patamar anterior à pandemia
 

Comportamento dos principais grupos de serviços

O recuo de 0,1% entre outubro e novembro foi influenciado principalmente por transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-1,4%) e por informação e comunicação (-0,7%). Em contrapartida, houve avanço em serviços profissionais, administrativos e complementares (1,3%) e em outros serviços (0,5%), enquanto os serviços prestados às famílias permaneceram estáveis (0,0%) na série com ajuste sazonal.

Quando se olha o acumulado do ano, o quadro é mais favorável: quatro das cinco grandes atividades pesquisadas registram crescimento frente ao mesmo período de 2024. Destaque para informação e comunicação, com alta de 5,4% no volume, e para transportes e serviços auxiliares, que avançam 2,5%, impulsionados por logística de cargas e transporte aéreo de passageiros.

Volume de serviços por grande grupo de atividade

Grupo de atividade Mês/Mês anterior Nov vs Out (%) Nov/25 vs Nov/24 (%) Acumulado jan-nov 2025 (%) Últimos 12 meses (%)
Volume de serviços – Brasil (total) -0,1 2,5 2,7 2,7
Serviços prestados às famílias 0,0 -1,0 0,9 1,1
Informação e comunicação -0,7 3,4 5,4 5,4
Serviços profissionais, administrativos e complementares 1,3 3,2 2,4 2,5
Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio -1,4 2,5 2,5 2,5
Outros serviços 0,5 1,9 -0,9 -1,3
 

Na prática, isso significa uma economia de serviços cada vez mais apoiada em atividades de maior valor agregado, como tecnologia da informação, consultoria e engenharia, ao mesmo tempo em que alguns segmentos tradicionais, especialmente ligados a serviços auxiliares financeiros e manutenção, ainda enfrentam retração.

Papel da tecnologia, dos serviços profissionais e da logística

Dentro do grupo de informação e comunicação, o motor do crescimento está nos serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC). Empresas de desenvolvimento e licenciamento de software, consultoria em TI, tratamento de dados, hospedagem na internet e suporte técnico vêm ampliando receita, refletindo a demanda por digitalização, soluções em nuvem e análise de dados em diversos ramos da economia.

Os serviços profissionais, administrativos e complementares crescem apoiados em áreas como engenharia, publicidade, consultoria em gestão e atividades jurídicas. Esse movimento sugere que empresas de diferentes setores têm buscado apoio especializado para reestruturar operações, melhorar eficiência e se adaptar às novas condições de mercado, o que costuma ser sinal de investimento em planejamento e modernização.

Já o grupo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, apesar da queda mensal de 1,4%, mantém alta de 2,5% no acumulado do ano, com impulso de rodoviário de cargas, transporte aéreo de passageiros, logística de cargas e concessões rodoviárias. Esse desempenho está ligado à retomada da circulação de pessoas, ao crescimento do comércio eletrônico e à necessidade de escoamento da produção em várias cadeias, mesmo em um cenário de oscilações setoriais.

Detalhes selecionados de transporte e turismo

Indicador Variação Nov/25 vs Out/25 (%) Situação vs pré-pandemia (fev/2020) Observações principais
Transporte de passageiros – volume -0,5 12,5% acima Ainda 13,5% abaixo do pico de 2014
Transporte de cargas – volume -0,1 40,5% acima 2,7% abaixo do ponto mais alto (jul/2023)
Atividades turísticas – volume 0,2 13,0% acima 0,8% abaixo do ápice da série, em dez/2024
Atividades turísticas – acumulado no ano (volume) Crescimento de 5,0% frente ao mesmo período de 2024
 

No acumulado até novembro, o transporte de passageiros cresceu 6,8% em relação a igual período de 2024, enquanto o transporte de cargas avançou 1,3%, reforçando o papel estrutural desses segmentos no desempenho global dos serviços.

Desempenho regional e recuperação desigual

Quando a análise se volta para as unidades da federação, fica evidente que a trajetória de recuperação é heterogênea. Na passagem de outubro para novembro, 17 das 27 unidades tiveram queda no volume de serviços, acompanhando o recuo nacional de 0,1%.

Os impactos negativos mais relevantes vieram de Rio de Janeiro (-1,4%), Distrito Federal (-3,4%), Bahia (-1,5%) e Amazonas (-3,0%). Em contrapartida, São Paulo (0,3%) e Minas Gerais (1,1%) responderam pelas principais contribuições positivas no mês, seguidos por Pará (2,6%) e Pernambuco (1,3%).

Variação mensal do volume de serviços – Nov/25 vs Out/25

Unidade da Federação Variação (%) Observação
Brasil -0,1 Leve queda após recorde em outubro
São Paulo 0,3 Principal contribuição positiva
Minas Gerais 1,1 Desempenho acima da média nacional
Pará 2,6 Uma das maiores altas do período
Pernambuco 1,3 Contribuição positiva regional
Rio de Janeiro -1,4 Impacto negativo importante
Distrito Federal -3,4 Queda acentuada
Bahia -1,5 Recuo relevante no mês
Amazonas -3,0 Entre as maiores retrações
 

Na comparação com novembro de 2024, 18 unidades federativas registraram aumento no volume de serviços. A maior contribuição positiva veio de São Paulo (3,4%), seguida por Rio de Janeiro (2,8%), Paraná (3,0%), Distrito Federal (5,1%) e Pará (10,9%), o que mostra que os maiores mercados de serviços seguem puxando a expansão nacional.

No acumulado do ano, 22 das 27 unidades estão no campo positivo, com destaque para São Paulo (4,1%), Distrito Federal (7,6%), Rio de Janeiro (1,5%), Paraná (2,5%) e Santa Catarina (3,7%). A principal influência negativa vem do Rio Grande do Sul, que apresenta queda de 4,6% no volume de serviços, refletindo impactos regionais específicos, inclusive de eventos climáticos e dificuldades em setores locais.

Acumulado do ano (jan-nov 2025) – volume de serviços

Unidade da Federação Variação acumulada 2025 (%) Observação
Brasil 2,7 Crescimento moderado, porém constante
São Paulo 4,1 Maior peso positivo no resultado nacional
Distrito Federal 7,6 Destaque de expansão nos serviços
Rio de Janeiro 1,5 Contribuição positiva, porém mais moderada
Paraná 2,5 Movimento alinhado à média do país
Santa Catarina 3,7 Desempenho acima da média nacional
Rio Grande do Sul -4,6 Principal influência negativa entre as UFs
 

Turismo, serviços às famílias e efeitos para o dia a dia

O índice de atividades turísticas avançou 0,2% em novembro ante outubro, acumulando ganho de 2,4% nos quatro últimos meses e posicionando o segmento 13,0% acima do nível pré-pandemia. Na prática, isso reflete aumento da demanda por transporte aéreo de passageiros, serviços de bufê e reservas relacionadas a hospedagem, com impacto direto em hotéis, eventos e alimentação fora de casa.

Na comparação com novembro de 2024, o volume de atividades turísticas subiu 2,1%, 18º resultado positivo seguido, com altas em 14 das 17 unidades da federação investigadas. Rio de Janeiro (4,0%), São Paulo (1,2%), Pará (24,4%), Rio Grande do Sul (7,8%), Bahia (5,6%) e Paraná (4,7%) figuram entre os principais destaques regionais.

Mesmo com essa recuperação, os serviços prestados às famílias, que incluem alojamento, alimentação e outros serviços pessoais, mostram um quadro misto: estabilidade na margem, leve crescimento de 0,9% no acumulado do ano, mas queda de 1,0% na comparação anual, pressionados por menor receita de restaurantes, hotéis e espetáculos culturais. Isso ajuda a explicar por que muitos consumidores ainda percebem uma recuperação desigual, com alguns setores mais aquecidos e outros caminhando de forma mais lenta.

O que os números indicam para 2026

O conjunto dos dados da Pesquisa Mensal de Serviços de novembro de 2025 aponta para um setor que superou o patamar pré-pandemia, mas ainda enfrenta oscilações entre segmentos e regiões. A força de tecnologias de informação, serviços profissionais e logística sugere um mercado de trabalho com mais espaço para qualificações ligadas ao digital, à análise de dados, à consultoria e ao transporte.

Para formuladores de política e empresas, a leitura fina das tabelas por unidades da federação e por grupos de atividade permite identificar onde a expansão está consolidada e onde são necessários esforços adicionais de crédito, infraestrutura ou qualificação de mão de obra. Já para o cidadão comum, a combinação de maior faturamento no setor e recuperação do turismo tende a significar mais oportunidades de emprego em serviços, ainda que a melhora chegue em ritmos diferentes conforme a região e o ramo de atividade.

 

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