Com festival internacional, formação de talentos e impacto econômico Jaraguá do Sul transforma cultura em desenvolvimento

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06/01/2026 14:45
Economia

Com festival internacional, formação de talentos e impacto econômico Jaraguá do Sul transforma cultura em desenvolvimento

Por Rita Lombardi

 Publicado 06/01/2026 14:38  – Atualizado 06/01/2026 14:45

Com investimento estimado em cerca de R$ 3 milhões, o FEMUSC projeta um impacto econômico potencial de até R$ 18 milhões para a cidade.
  • Com investimento estimado em cerca de R$ 3 milhões, o FEMUSC projeta um impacto econômico potencial de até R$ 18 milhões para a cidade. (Fotos: Divulgação)

Situada no Norte catarinense, a cidade virou referência em música clássica na América Latina

 Longe dos grandes centros tradicionais da música erudita, uma cidade de médio porte no Norte de Santa Catarina consolidou-se, ao longo de duas décadas, como um dos principais polos de formação musical da América Latina. Jaraguá do Sul abriga o Festival Internacional de Música de Santa Catarina (FEMUSC), que chega à sua 21ª edição, em 2026, reunindo jovens talentos de 21 países, mais de 400 estudantes, 200 concertos gratuitos e um modelo que combina excelência artística, acesso democrático à cultura e impacto econômico direto.

Com a próxima edição confirmada entre os dias 11 e 24 de janeiro de 2026, o FEMUSC também celebrará os 150 anos de Jaraguá do Sul e contribuirá para explicar por que a cidade passou a figurar no mapa internacional da música clássica. Mais do que um evento cultural, o festival funciona como uma engrenagem da economia criativa local, mobilizando cadeias como a hotelaria, a alimentação, o transporte, o comércio e os serviços, além de gerar empregos diretos e indiretos ao longo de duas semanas de programação intensa.

Com investimento estimado em cerca de R$ 3 milhões, o FEMUSC projeta um impacto econômico potencial de até R$ 18 milhões para a cidade. O cálculo considera estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que indicam que cada real investido em cultura pode gerar retorno de até seis vezes para a economia local, especialmente em eventos com permanência prolongada e forte vínculo com a formação e o turismo cultural.

A realização do FEMUSC em Jaraguá do Sul está diretamente ligada à trajetória da SCAR – Sociedade Cultura Artística, instituição que, em 2026, completa 70 anos de atuação e tem a música como pilar desde sua fundação, em 1956, quando surgiu a partir de um grupo musical e de uma pequena orquestra. Ao longo das décadas, a SCAR estruturou um dos mais consistentes ecossistemas de formação artística do país: atualmente, atende cerca de 4.200 alunos, dos quais 80% são bolsistas integrais, mantendo a música como eixo central, com aproximadamente 700 estudantes de música em atividade permanente ao longo do ano.

A instituição conta ainda com um centro cultural com teatro de excelência acústica, infraestrutura técnica completa e um dos mais relevantes acervos instrumentais do Brasil, incluindo 17 harpas, o maior número concentrado em uma única cidade do país. Esse conjunto de formação continuada, infraestrutura cultural e visão de longo prazo foi determinante para que o FEMUSC surgisse e se consolidasse em Jaraguá do Sul, somando-se à força econômica local e ao protagonismo industrial da cidade, que historicamente investe no desenvolvimento humano, seja na indústria, seja na cultura.

“O FEMUSC, ao completar 21 anos, não apenas se aprimora artisticamente, como também amplia seu papel de conectar pessoas, culturas e territórios. É um projeto que cresceu junto com a cidade e hoje atua como uma ponte cultural entre o Brasil e o mundo”, afirma Monika Hufenüssler Conrads, presidente do Instituto FEMUSC. Ao longo de sua trajetória, o festival já formou mais de 9 mil alunos de 42 países.

Um festival global em escala local

A edição de 2026 registra um crescimento de 20% nas inscrições, consolidando o FEMUSC como o maior festival-escola de música erudita da América Latina. A diversidade é uma de suas marcas centrais: participam jovens músicos de países como Chile (42 participantes), Peru (36), Argentina e Colômbia (31 cada), além de representantes do México, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Moçambique. Pela primeira vez, o festival receberá estudantes da Macedônia do Norte e da Rússia.

“A diversidade cultural é a tônica do FEMUSC. A ampliação da presença latino-americana e o intercâmbio com outros continentes reforçam nossa visão de um festival verdadeiramente global, sem perder o vínculo com o território onde acontece”, destaca Alex Klein, diretor artístico do festival.

No cenário nacional, a pluralidade também se impõe. Jovens músicos de 18 estados brasileiros participam da edição, com destaque para São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia, o que reflete a capilaridade do projeto e seu papel na formação de capital humano para a música e para a economia criativa.

Para estes participantes, o FEMUSC vai além das masterclasses tradicionais. A programação inclui formação orquestral avançada e intermediária, regência, ópera, canto lírico, música de câmara, quartetos de cordas e projetos voltados a crianças e adolescentes, como o Femusckinho e o FEMUSC Jovem.

Ao todo, o repertório ultrapassa 530 obras, chegando a cerca de 750 apresentações quando considerados os concertos sociais. O programa inclui composições de Bach, Brahms e Beethoven, ao lado de nomes como Villa-Lobos, Piazzolla, Chiquinha Gonzaga, além de obras de 39 compositores contemporâneos, entre eles 13 mulheres e 15 latino-americanos.

A democratização do acesso é um dos pilares do festival. Além das apresentações no Centro Cultural SCAR, a música ocupa praças, parques e espaços públicos, levando concertos gratuitos a diferentes públicos. Ao longo do evento, mais de 30 mil pessoas acompanham a programação. “O FEMUSC mostra que a cultura, quando pensada de forma estruturada, também é política de desenvolvimento. Ele forma pessoas, movimenta a economia e deixa um legado permanente para a cidade”, sintetiza Mariana Werninghaus de Carvalho, vice-presidente do Instituto FEMUSC.

Ópera brasileira

Pela primeira vez em sua trajetória, o FEMUSC apresenta uma ópera brasileira como destaque central da programação. A obra escolhida é “Onheama”, inspirada na mitologia amazônica, que será apresentada nos dias 23 e 24 de janeiro de 2026, no Teatro SCAR, em Jaraguá do Sul (SC).

Com 1h20 de duração e mais de 80 artistas em cena, a montagem tem direção do amazonense Matheus Sabbá, que retorna ao festival após atuar como assistente de direção na edição de 2023. Formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas, Sabbá construiu carreira em óperas, musicais e cinema, com passagens por instituições como o Theatro Municipal de São Paulo, o Theatro São Pedro, o Festival Amazonas de Ópera e o próprio FEMUSC.

O título Onheama significa eclipse — fenômeno que, na tradição indígena, simboliza ruptura e transformação. Na narrativa, a jovem guerreira Iporangaba parte em uma jornada para salvar sua comunidade, encontrando figuras míticas como o Boto e a Yara. Na montagem do FEMUSC, o protagonismo feminino reforça a força simbólica das mulheres amazônicas. “Dirigir Onheama é contar a história do meu povo e levar a mitologia da Amazônia a um público que raramente tem contato com essas narrativas”, afirma Sabbá.

Números em destaque

21 países representados
18 estados brasileiros
Mais de 400 alunos participantes
Mais de 200 concertos gratuitos
Crescimento de 20% nas inscrições
Investimento estimado: R$ 3 milhões
Impacto econômico potencial: até R$ 18 milhões (FGV)

Sobre o FEMUSC

O FEMUSC é o maior festival-escola de música erudita da América Latina. Em 2026, comemora 21 anos, reunindo mais de 400 alunos de quase todos os estados brasileiros e de 21 países, de 11 a 24 de janeiro, para 14 dias de aprendizado, intercâmbio cultural e intensa programação artística, com professores das mais renomadas orquestras do mundo. A comunidade de Jaraguá do Sul e região abraça o festival, que atinge um público superior a 30 mil pessoas e deixa um legado duradouro para a cidade.

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  • FEMUSC chega à sua 21ª edição, em 2026, reunindo jovens talentos de 21 países, mais de 400 estudantes, 200 concertos gratuitos (Divulgação)

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