Campanha em Joinville busca ampliar o acesso ao atendimento especializado para crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem

Imagine se Steven Spielberg tivesse desistido do cinema pelas dificuldades na escola. Se Orlando Bloom, ator de O Senhor dos Anéis e Piratas do Caribe, tivesse abandonado o sonho de atuar. Ou se Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, tivesse acreditado que aprender de outra maneira o impediria de empreender. Quantas histórias o mundo perderia?

Os três convivem com a dislexia, transtorno que afeta a leitura e a escrita, mas não reduz a inteligência nem determina o futuro. Estimativas indicam que até 15% ou mais da população pode apresentar sintomas associados à dislexia, conforme os critérios adotados. Por trás dos números, há crianças chamadas de preguiçosas ou incapazes.

Tom Cruise, estrela de Missão Impossível, relatou dificuldades de leitura e um diagnóstico na infância, que depois questionou. Agatha Christie, autora de clássicos policiais, enfrentou dificuldades de escrita e ortografia, embora não haja confirmação de que fosse disléxica. Essas trajetórias mostram que dificuldades de aprendizagem não precisam impedir realizações. Mas quantas crianças terão essa chance?

Em outubro, mês de conscientização sobre a dislexia, precisamos ir além dos famosos. Uma criança que evita ler em voz alta talvez não esteja desinteressada: pode ter medo de errar. Quando esse sofrimento passa despercebido, atinge a autoestima e os sonhos.

No Instituto You.up, em Joinville, acompanhamos cada avanço. Desde 2021, realizamos mais de 37 mil atendimentos gratuitos a crianças e adolescentes com dificuldades e transtornos de aprendizagem, dentre eles, a dislexia. Para uma família, a conquista pode ser uma leitura feita com confiança. Para outra, é ver o filho voltar a gostar da escola.

Ainda assim, mais de 200 crianças e adolescentes aguardam por uma vaga. Criamos a campanha Guardiões do Aprender para mobilizar pessoas e empresas e ampliar o acesso ao acompanhamento especializado.

A dislexia não desaparece com esforço ou vontade. Exige identificação, intervenções adequadas e apoio da família, da escola e de profissionais. Superação não é cobrar que uma criança vença sozinha: é garantir que ela não precise enfrentar tudo sozinha.

Nem toda criança será cineasta, ator ou empresário de sucesso. Nosso compromisso é que nenhuma desista de aprender porque alguém confundiu dificuldade com incapacidade.

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