Confira o artigo do Presidente do Sistema OCESC

O cooperativismo catarinense alcançou dimensão econômica e social que o coloca entre os protagonistas do desenvolvimento de Santa Catarina. São 237 cooperativas, mais de 5 milhões de cooperados, 109 mil empregos diretos e receitas que alcançaram R$ 105,7 bilhões em 2025. Essa presença expressiva amplia também nossa responsabilidade de participar, de maneira qualificada, do debate sobre os caminhos do Estado.

É com esse propósito que o Sistema OCESC apresenta a Agenda Institucional do Cooperativismo Catarinense. O documento resulta de um amplo processo de escuta das cooperativas e transforma dificuldades enfrentadas no cotidiano em propostas objetivas de políticas públicas. Não se trata de uma relação circunstancial de reivindicações, mas de um instrumento permanente de representação, diálogo e construção de soluções para questões que afetam a competitividade, os investimentos e o desenvolvimento econômico e social.

A Agenda organiza a voz coletiva do setor e estabelece prioridades para a interlocução com os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Parte de uma premissa fundamental: para continuar investindo, inovando, gerando empregos e distribuindo prosperidade, as cooperativas precisam de condições institucionais compatíveis com sua relevância e com as particularidades de um modelo econômico baseado na associação de pessoas.

Entre os temas prioritários está a infraestrutura. Santa Catarina possui uma economia dinâmica e fortemente integrada aos mercados nacional e internacional, mas convive com gargalos que elevam custos e reduzem competitividade. A melhoria contínua das rodovias, especialmente de corredores estratégicos como as BRs 282, 470 e 163, a expansão da energia trifásica no meio rural e a universalização da internet de alta velocidade são condições indispensáveis para conectar propriedades, indústrias, centros consumidores e portos.

Outro eixo fundamental é a segurança jurídica e a desburocratização. Investimentos exigem regras claras, estabilidade regulatória e previsibilidade. Licenciamentos ambientais e sanitários precisam avançar em digitalização, simplificação e cumprimento de prazos. Da mesma forma, é necessário reduzir conflitos entre normas municipais, estaduais e federais e assegurar a correta compreensão jurídica do ato cooperativo.

No campo tributário, a Agenda defende o adequado tratamento ao ato cooperativo, conforme assegurado constitucionalmente, e acompanha a regulamentação da reforma tributária para evitar distorções que prejudiquem esse modelo societário. Também sustenta a manutenção de mecanismos legítimos capazes de preservar a competitividade das cadeias produtivas e estimular investimentos em tecnologia, armazenagem e modernização industrial.

As cooperativas de crédito constituem outro ponto estratégico. Presentes em comunidades onde, muitas vezes, são a principal instituição financeira disponível, elas precisam competir em condições isonômicas com os bancos tradicionais. A possibilidade de administrar folhas de pagamento e disponibilidades financeiras de entes públicos, bem como de participar da operacionalização de programas estaduais de crédito, amplia a circulação dos recursos nas próprias regiões e fortalece as economias locais.

A sustentabilidade também integra essa visão de futuro. Santa Catarina possui grande potencial para transformar resíduos da produção agropecuária em energia por meio do biogás e da biomassa, além de ampliar projetos de geração solar e eólica. A simplificação das normas e a ampliação do acesso ao financiamento verde podem transformar as cooperativas em agentes ainda mais relevantes da transição energética e do desenvolvimento sustentável.

A Agenda olha, igualmente, para as próximas gerações. A educação cooperativista, a formação de lideranças, a participação institucional suprapartidária e o estímulo à intercooperação são essenciais para assegurar a longevidade desse modelo. Levar conceitos de cooperativismo, empreendedorismo coletivo e educação financeira às escolas significa preparar jovens para compreender novas formas de organização econômica e participação social.

Nenhuma dessas propostas busca privilégios. O que se pretende são condições para que organizações profundamente vinculadas às comunidades possam continuar produzindo resultados que retornam à própria sociedade. Onde uma cooperativa prospera, seus efeitos alcançam produtores, trabalhadores, empresas, consumidores e municípios.

A Agenda Institucional é, portanto, uma bússola para nossa atuação e um convite permanente ao diálogo. O Sistema OCESC coloca à disposição do poder público conhecimento técnico, dados e a experiência concreta de organizações presentes em todas as regiões catarinenses. Transformar esses pleitos em políticas públicas consistentes significa criar condições para que Santa Catarina produza mais, invista melhor, amplie sua competitividade e distribua prosperidade. Fortalecer o cooperativismo é fortalecer a capacidade de desenvolvimento do próprio Estado.


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