Confira o artigo de Dagnor Schneider, presidente da Fetrancesc.

Santa Catarina é um dos motores da economia brasileira. No entanto, quem transporta as riquezas do Estado enfrenta diariamente uma infraestrutura rodoviária que não acompanha o ritmo do desenvolvimento catarinense. Corredores estratégicos, como as BRs 101 e 470, enfrentam situações críticas, congestionamentos frequentes, baixa velocidade, aumento dos custos operacionais e riscos à segurança.

Esse cenário não surgiu por acaso. É resultado de anos de decisões adiadas, prioridades equivocadas e, sobretudo, da omissão diante de problemas que há muito tempo são conhecidos. Enquanto Santa Catarina cresce, sua malha rodoviária permanece aquém das necessidades, criando gargalos que comprometem a competitividade.

O impacto desse descaso também é medido em vidas perdidas. Santa Catarina concentra 4 dos 10 trechos mais perigosos do Brasil e registra, a cada 100 quilômetros de rodovias federais pavimentadas, o dobro da taxa nacional de mortes: são 18 óbitos, contra uma média de nove no país. Além disso, o Estado é o terceiro que mais mata no trânsito, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

É verdade que existem projetos e contratos voltados à modernização das rodovias. Entretanto, a velocidade da execução está muito distante da urgência que a situação exige. Obras essenciais avançam lentamente, enquanto os prejuízos econômicos e sociais aumentam. Não basta planejar, anunciar ou contratar. É preciso executar, fiscalizar e cobrar resultados.

Nesse contexto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem papel decisivo na fiscalização dos contratos de concessão e na garantia de que os investimentos previstos sejam efetivamente realizados dentro dos prazos estabelecidos. O Estado precisa de uma atuação mais firme e efetiva, capaz de assegurar que os compromissos assumidos saiam do papel e se transformem em resultados concretos para quem utiliza as rodovias.

Santa Catarina não pede tratamento privilegiado. Reivindica apenas uma infraestrutura compatível com sua relevância econômica e com a contribuição que oferece ao desenvolvimento do Brasil. Investir em rodovias significa fortalecer a competitividade, reduzir custos, aumentar a segurança e garantir condições para que o Estado continue crescendo. O que não podemos mais aceitar é que problemas conhecidos há anos continuem sendo adiados. A omissão também tem um custo e Santa Catarina já está pagando por ele.

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