Confira o artigo do filósofo e roteirista

É possível dar um salto tão alto, no escuro, e alcançar um amor tão intenso, capaz de fazer sorrir uma estrela? Sim, se a racionalidade não atrapalhar a viagem. De brinde, com um pouco de sorte, ainda poder-se-ia tomar espumante com a verdade.

Existem instâncias superiores à razão tal e qual a conhecemos, capazes de explicar o mundo a partir da LIBERDADE CO-EXISTENTE (- e não, inconsequente -), pois o universo físico não é meramente físico; é sempre transcendental. Não assumir o amor, desistir do conhecer mais, optar pelo quanto pior, melhor, rasgar o bem e o certo, ser evasivo ou morno, são sinais de que podemos passar a ser uma espécie de ‘presos’, sem liberdade, portanto, sem virtudes.

No anverso, se somos livres, podemos escolher a todo o momento o que bem entendermos, mas isso não garante que a resultante seja tão boa, ou teria sido a melhor opção. Só decidindo e agindo pra sabermos. As boas escolhas só as sentimos no tempo, quase nunca no agora, pois são meras projeções, a citar, a de uma de uma vida mais feliz "logo adiante”, onde mora a esperança.

Dessa forma, a liberdade transcendental significa aceitarmos a existência que nos foi dada (um feto, uma vida), compondo meu ser. Esse “ser” é o núcleo da pessoa que todos me conhecem 'por fora'. Contudo, é na relação com o outro que eu coexisto, afinal, não sou a causa de mim mesmo, tanto que, decorremos de um ato de duas pessoas e assim, nascemos, contudo, não-prontos.

Então a razão é desnecessária? Não! Nela estão contidos o juízo, a abstração e o raciocínio. Contudo, a razão é sempre imaterial, tem limites e termina, dá seu último suspiro com a nossa própria decadência, a perda da força, até a morte da matéria.

A vontade (potência para ser) também é imaterial e, teoricamente, também sempre é inclinada para o bem. O assaltante quer executar seu plano, mas nunca pensa no mal, por mais que o ato derradeiro seja uma catástrofe aos olhos do outro.

A virtude é sempre inata, pois preciso desenvolvê-la, cultuá-la e praticá-la, como a justiça, por exemplo, mas ela só tem valor se for perseguida sem que dependamos da lei, isto é, devo ser justo independente do que as normas direcionam, ou do que os outros pensam, seja a favor ou contra.

Ainda existem os hábitos inatos, como o da sabedoria, que independe da razão, ou do conhecimento, ou mesmo da vontade. Não há necessidade de cinco doutorados para respeitar quem te respeita. Ou deletar de sua vida quem não age assim. Ou, perdoá-lo e assim assim orar por ele.

Outro exemplo: algumas mães ‘descobrem’ doenças em seus filhos antes dos exames clínicos, mesmo sendo analfabetas. Nessas figuras, existem princípios transcendentais tão eficazes, que são capazes de acionar, inclusive, nossa razão e nossa vontade, os quais podem se somar aos hábitos aprendidos (coragem, prudência e temperança, esta, explicada através da maturação de algo com o tempo e que gera equilíbrio).

Se você diz que alguém não é “pessoa”, pelo que fez de errado e sem remorso, pode-se afirmar que este ser é “VICIADO”, pois não conseguiu perceber sua coexistência (viver com o outro), nem se conectou ao divino, lapso explicado pelo seguinte pensamento filosófico em relação à aceitação de Deus: “Tarde te amei, pois te buscava fora e tu já estavas em mim”.

UMA BOLINHA DE AMOR

Lógico, tenho a liberdade de não aceitar nenhuma dessas conexões ou conceitos acima citados, nem em relação a outros humanos, nem espirituais, como defendem alguns filósofos existencialistas, para quem “a vida é uma paixão inútil” ou, “o inferno são os outros”. Até nesse nível, houve sim a liberdade de escolha, porém, é necessário decretar: somos os criados, não o CRIADOR.

Indo pro fim, os sentimentos, sejam quais forem, agrados morais ou intelectuais, ou a beleza e os perfumes da natureza, ou o abraço que nos seduz, o beijo que nos devora, a raiva que nos entorpece, o egoísmo que tortura, a solidão que nos adoece, somente são conhecidos se eu me conectar com um tal “QUEM SOU EU, QUEM É O OUTRO EM MIM, e COMO DECIDO VIVER, sempre lembrando que jamais existirá um “OUTRO EU”, ou seja, somos únicos.

Já é sabido que o amor só faz sentido e é genuíno, do EU, “eu”, com o OUTRO, “outro”, envolvendo entrega, doação, o repartir intelectualidade e no destinar o que em mim derrama, desde que faça bem a todos. Por isso se diz que um bebê, ao nascer, “é uma bolinha de amor”, porém, precisa de uma ajuda enorme de alguém para CRESCER nos diferentes sentidos aqui relatados, e outros até.

Se chego à conclusão, no meu "eu" adulto, que tudo foi torto em mim, ainda assim posso DESVICIAR e me aperfeiçoar de dentro pra fora, numa espiral crescente e infinita. Porém, também posso, pelo livre arbítrio, NÃO ACEITAR SER. Nesse caso, ou se é besta, ou se é Deus. Como nenhuma hipótese é provável, então quem sabe o melhor caminho é que sejamos os TRÊS, juntos. E você incluído(a). E outros, também.

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