Mais do que suporte, o impresso carrega a simbologia de responsabilidade editorial, enfatiza a articulista.

Tive a oportunidade de participar, no último final de semana, do 52º Congresso Estadual da Associação dos Jornais do Interior (Adjori), em São José, na Grande Florianópolis, quando mediei o painel sobre Comunicação Institucional, ao lado do secretário-adjunto de Estado da Comunicação e do representante da Assembleia Legislativa.

O evento reuniu cerca de 300 pessoas, representando mais de 100 jornais de todas as regiões de Santa Catarina. Havia ainda jornais de outros cinco estados da federação participando do Congresso. E, sim, em Santa Catarina existem mais de 100 jornais impressos em circulação. A maioria deles também tem o seu respectivo portal e suas redes sociais.

Mas o que eu quero chamar a atenção aqui é para os números do impresso: de acordo com dados da entidade, juntos, os jornais associados respondem por uma tiragem semanal de mais de 300 mil exemplares, alcançando quase dois milhões de leitores todas as semanas.

Considerando que o Estado tem cerca de oito milhões de habitantes e, ainda, que há jornais impressos não associados à Adjori, verifica-se que o número de leitores de jornal é bastante expressivo em Santa Catarina.

Credibilidade, confiança, transparência e prestação de contas foram assuntos abordados não só naquele painel do qual participei, mas em quase todas as manifestações durante o evento.

Não por acaso. Mas porque estão intimamente ligados à persistente permanência do impresso nos dias atuais.
Essas palavras costumam aparecer associadas ao jornalismo, mas pertencem também ao campo da gestão. Nenhuma instituição pública ou privada se sustenta, no longo prazo, sem algum grau de transparência, sem disposição para prestar contas, sem coerência entre discurso e prática e sem a construção permanente de confiança.

A comunicação institucional não é apenas divulgação, é parte da própria gestão. Nesse sentido, o olhar sobre o papel dos jornais impressos precisa ser mais atento.
Há quem trate o impresso como uma etapa superada da comunicação, diante da velocidade e das inúmeras possibilidades do digital. Mas essa leitura ignora um aspecto essencial: em inúmeras comunidades, o jornal impresso é o canal que chega às pessoas, é o que cumpre a função de registro, permanência e validação da informação.

O que está impresso não desaparece no fluxo acelerado do feed. Não se perde com a mesma facilidade entre notificações, vídeos curtos, mensagens instantâneas e algoritmos. O jornal chega à casa, ao comércio, ao gabinete, à entidade, à sala de espera, à mesa de café. Circula de mão em mão. Permanece. É recortado, guardado, comentado, citado.

Mais do que suporte, o impresso carrega a simbologia de responsabilidade editorial. Há nome, há expediente, há território, há vínculo com a comunidade. O jornal local conhece seus leitores, suas instituições, suas lideranças e seus conflitos. Não fala para uma audiência abstrata; fala para as pessoas que moram ao lado.

Isso não significa negar ou diminuir a importância do digital. Ao contrário. Os jornais regionais também têm seus portais, estão nas redes sociais e nas múltiplas plataformas. Mas a presença digital não elimina a força do impresso. Em muitos casos, ela a amplia. O conteúdo circula em mais canais, alcança novos públicos e preserva, ao mesmo tempo, a credibilidade construída por marcas jornalísticas enraizadas em suas comunidades.

Para instituições públicas, empresas, entidades e lideranças, esse dado é relevante. Comunicação institucional não pode ser pensada apenas pela lógica da velocidade ou do alcance imediato. Precisa considerar a confiança do canal, a qualidade da mediação jornalística e a credibilidade percebida pelo público.

Em tempos de excesso de informação e desconfiança generalizada, não basta comunicar. É preciso ser acreditado. E a confiança não nasce apenas daquilo que a própria instituição diz sobre si mesma. Mas se fortalece quando passa pelo olhar, pela apuração e pela chancela de veículos reconhecidos por suas comunidades.

Por isso, valorizar o jornal impresso não é defender o passado. É enxergar o papel que desempenha para a confiança e credibilidade das instituições perante a sociedade. Além de ser estrutura viva de informação, fiscalização, preservação da memória e prestação de contas.

O Congresso da Adjori mostrou isso com clareza. O jornal impresso se transformou com o desenvolvimento das novas tecnologias, aprendeu a conviver com novas plataformas e a se beneficiar delas, mesmo enfrentando enormes desafios econômicos. E continua sendo, em Santa Catarina, um instrumento estratégico de conexão entre a sociedade e as instituições.

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