O desafio está em compreender que a Copa deve ser tratada como uma temporada de experiências, e não apenas como um período de vendas, observa o articulista


Grandes eventos têm o poder de mobilizar economias, transformar comportamentos de consumo e gerar oportunidades concretas para os pequenos negócios. A Copa do Mundo de 2026 também é jogada nos bastidores do mercado catarinense.

Longe dos gramados, um espetáculo técnico acontece nas gôndolas, balcões e telas das nossas micro e pequenas empresas. Um recente relatório de inteligência do nosso Observatório de Negócios do Sebrae/SC projeta que o mundial poderá injetar mais de R$ 130 milhões na economia de Santa Catarina. É um volume financeiro expressivo que coroa a força dos setores de alimentação fora do lar, varejo de proximidade, moda, turismo e economia criativa.

O desafio está em compreender que a Copa deve ser tratada como uma temporada de experiências, e não apenas como um período de vendas. O jogo dura 90 minutos, mas o relacionamento com o cliente pode perdurar. O segredo da Copa é que o momento está mais conectado com o apelo afetivo e do sentimento que a pessoa vai ficar daquela experiência.

Bares e restaurantes, por exemplo, precisam ir além da transmissão dos jogos. O cliente quer assistir à partida em uma boa estrutura — telões, som e decoração. Mas ele também busca ambiente agradável, comida de qualidade, bebida gelada, atendimento rápido e um verdadeiro clima de torcida. O diferencial também está na agilidade na hora de pagar a conta quando o jogo acabar e criar “vitórias” para o cliente, como desconto ou algo de graça para cada gol do Brasil. O pacote pode ir mais além, com programação completa dos jogos, organização de reservas, cardápios especiais e combos para grupos.

Já mercados, mercearias e açougues têm oportunidade ao facilitar a vida do consumidor que vai assistir aos jogos em casa. Esse cliente busca praticidade: resolver tudo em um só lugar, com rapidez. A criação de kits prontos — como kit churrasco, kit petisco ou kit bebidas —, além da organização de ilhas temáticas com itens complementares (carvão, gelo, descartáveis), pode impulsionar as vendas.

No segmento de moda, há espaço para personalização com nomes, números ou frases, além da criação de senso de urgência, com edições limitadas.

Também é preciso levar em conta que, como no futebol, o talento comercial sem o rigor da tática de gestão não garante a vitória. O calendário da primeira fase do Brasil, concentrado em junho, desenha picos agudos e garantidos de consumo. Faturar mais não significa, obrigatoriamente, lucrar mais. Uma promoção desenhada sem critérios de margem, o descasamento de estoques ou equipes subdimensionadas podem transformar a euforia da Copa em um sério prejuízo no fluxo de caixa assim que o torneio terminar.

O compliance também entra em campo: o uso de marcas e símbolos protegidos pela FIFA em ações promocionais é um erro grave que deve ser evitado. A Copa do Mundo de 2026 é uma janela de oportunidade única, mas o troféu do lucro só será erguido por quem substituir o amadorismo pelo planejamento estratégico.


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