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. (Fotos: ASCOM)
Por Elizandra Santos Paico, psicóloga da Tempo Med Operadora de Saúde
Falar sobre saúde mental na enfermagem não pode ser apenas uma homenagem bonita em datas comemorativas. Precisa ser uma prática permanente. Quem cuida todos os dias também sente medo, cansaço, pressão e sobrecarga. E, justamente por ocupar o lugar de quem acolhe, o profissional muitas vezes silencia a própria dor. Existe uma expectativa injusta de que esses trabalhadores precisam ser fortes o tempo inteiro, como se fossem heróis imunes ao sofrimento. Mas o herói não tem direito ao cansaço, e essa cobrança adoece.
Os números ajudam a dimensionar o problema. No Brasil, os transtornos mentais e comportamentais já são uma das principais causas de afastamento do trabalho, com a ansiedade e os episódios depressivos no topo da lista. Na enfermagem, especialmente no setor privado, onde as rotinas administrativas e assistenciais são rigidamente hierarquizadas e atravessadas por metas intensas, o peso é ainda maior. São técnicos, auxiliares e enfermeiros que sustentam o corpo institucional, lidando com a responsabilidade de fazer a engrenagem da saúde funcionar enquanto tentam equilibrar a pressão interna e as cobranças externas.
Quando o espaço para a palavra e para a escuta é sufocado pela pressa do cotidiano, o sofrimento se isola. E o que a boca cala, o corpo grita. O esgotamento extremo, as crises de ansiedade e as dores crônicas não são sinais de fraqueza individual ou falta de resiliência. São os termômetros de que o organismo chegou ao seu limite diante de um ritmo que muitas vezes nos transforma em meras funções nas telas, esquecendo o sujeito que está ali atrás.
Defender a saúde mental no trabalho é defender a lucidez de que somos humanos e, portanto, feitos de limites. A assistência de qualidade não se sustenta quando quem cuida precisa se anestesiar para conseguir entregar um relatório ou cumprir um plantão.
Precisamos resgatar o valor do coletivo e da solidariedade entre os colegas. O prazer no trabalho nasce na troca, no pequeno gesto de apoio e no reconhecimento sincero do esforço do outro. Além disso, é urgente exercitarmos a 'ética do não': aprender a demarcar bordas saudáveis, a negociar prioridades e a dizer não à ideia de que a dedicação profissional exige a anulação dos nossos limites pessoais.
Como operadora responsável pelo cuidado à saúde dos servidores de Florianópolis, a Tempo Med entende que gerenciar a saúde também passa por olhar para quem sustenta a linha de frente.
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