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Raimundo Colombo governou o Estado de Santa Catarina de 2011 a 2018 (Fotos: Divulgação)
A história da recuperação da Ponte Hercílio Luz é, antes de tudo, uma história de decisão e lembro do ato do governador Hercílio Luz que resolveu, em tempos difíceis, construir a travessia entre o Continente e a Ilha de Santa Catarina. Foi um exemplo de coragem e representa uma justa homenagem.
Quando assumimos o governo, em 2011, o cenário era de incerteza. Após décadas de obras interrompidas, contratos problemáticos e descrédito generalizado, havia inclusive uma corrente significativa que defendia a demolição da ponte. Era compreensível: tratava-se de uma estrutura interditada, com problemas técnicos graves e sem perspectiva clara de solução.
Ao mesmo tempo, Santa Catarina enfrentava a necessidade urgente de ampliar sua infraestrutura de mobilidade. As pontes existentes já demonstravam sinais de saturação, e diferentes alternativas surgiam — túneis, novas travessias, soluções privadas. Muitas delas, no entanto, careciam de viabilidade técnica, ambiental ou financeira. Diante desse contexto, a decisão foi clara: recuperar a Ponte Hercílio Luz era a solução mais eficiente, rápida e também a mais simbólica.
O caminho, porém, esteve longe de ser simples. Herdamos um modelo de execução com falhas graves, tanto na obra quanto na fiscalização. Foi necessário interromper contratos, reestruturar completamente o processo e construir, com rigor técnico e jurídico, as condições para avançar com segurança. Cada etapa exigiu firmeza, planejamento e responsabilidade.
Buscamos então conhecimento onde ele estava. Fomos aos Estados Unidos dialogar com a empresa responsável pela construção original da ponte, no início do século XX. Esse intercâmbio técnico foi decisivo para definir a metodologia de recuperação, baseada na elevação da estrutura e na transferência de cargas — um processo complexo, que exigia precisão absoluta. Em muitos momentos, o risco era real, e cada decisão precisava ser sustentada por engenharia de alto nível.
Também inovamos na condução institucional. Compartilhamos o projeto com órgãos de controle, como Tribunal de Contas, Ministério Público e Assembleia Legislativa, garantindo transparência e acompanhamento contínuo. Foi uma escolha consciente: assumir a responsabilidade, mas com fiscalização permanente.
A execução da obra trouxe novos desafios — desde entraves judiciais até questões sociais no entorno da ponte. Cada obstáculo exigiu diálogo, soluções técnicas e, principalmente, determinação para não permitir que o projeto fosse novamente interrompido.
Hoje, ao olhar para a Ponte Hercílio Luz restaurada, vemos mais do que uma obra de engenharia. Vemos um símbolo recuperado, um patrimônio histórico preservado e um espaço que voltou a pertencer aos catarinenses. A ponte deixou de ser um problema para se tornar um ativo cultural, turístico e urbano.
Mais do que isso, ela representa a capacidade de superar desafios complexos com planejamento, coragem e compromisso público. Em um ambiente onde muitas vezes prevalece a descrença, a reconstrução da ponte demonstra que é possível enfrentar grandes problemas e entregar resultados concretos à sociedade.
A Ponte Hercílio Luz é, hoje, um legado coletivo. Um exemplo de que decisões difíceis, quando bem conduzidas, podem transformar a realidade e projetar o futuro.
Ex-governador de Santa Catarina
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