A extensão universitária ganhou, nos últimos anos, ainda mais visibilidade no Brasil ao se tornar obrigatória na formação acadêmica. Hoje, todas as universidades precisam integrar ensino e prática, levando seus estudantes para mais perto da realidade da sociedade.
Mas em Santa Catarina, essa não é uma novidade. É uma essência.

Muito antes de ser uma exigência legal, as universidades comunitárias já nasceram com esse compromisso. Há mais de 60 anos, essas instituições estão inseridas nas comunidades, construindo soluções a partir das demandas reais de cada região e mantendo uma relação direta, contínua e transformadora com a população. Esse é o grande diferencial do modelo catarinense.

Enquanto em muitos estados o ensino superior ainda se concentra nos grandes centros, especialmente nas capitais, em Santa Catarina ele se interiorizou. As universidades comunitárias estão distribuídas por todas as regiões, conectadas às vocações locais e atuando de forma muito próxima das pessoas. Cada instituição responde aos desafios do território onde está inserida, seja na saúde, na educação, no desenvolvimento econômico, na inovação ou na inclusão social.

E é na extensão universitária que essa característica se materializa com mais força.
Hoje, são cerca de 2.240 projetos de extensão. Juntos, eles impactam diretamente mais de 1,4 milhão de pessoas em Santa Catarina, com o envolvimento de aproximadamente 61,8 mil estudantes e 6,7 mil professores.

Esses números revelam mais do que volume. Revelam presença.
Presença da universidade nas comunidades, nos bairros, nas escolas, nas empresas, nos serviços de saúde. Presença que se traduz em atendimento, orientação, escuta e construção conjunta de soluções.
Na prática, isso significa ampliar o acesso da população a serviços essenciais. Na área da saúde, por exemplo, clínicas e programas multidisciplinares oferecem atendimentos em diversas especialidades, contribuindo diretamente com o bem-estar das pessoas e apoiando o sistema público. Em outras áreas, há projetos de orientação jurídica, educação financeira, sustentabilidade, cultura, inovação e inclusão social.

Mas talvez o ponto mais importante esteja na forma como tudo isso acontece.
A extensão universitária nas instituições comunitárias não é assistencialista nem pontual. Ela é construída em diálogo permanente com a sociedade com prefeituras, lideranças, organizações e cidadãos. É a partir dessa escuta que surgem os projetos, sempre conectados às necessidades reais e às características de cada região.

Ao mesmo tempo, essa atuação está profundamente integrada à formação dos estudantes. O aprendizado acontece na prática, em contato direto com os desafios do mundo real. É assim que se formam profissionais mais preparados, conscientes e comprometidos com a sociedade.
A curricularização da extensão, hoje prevista em lei, reforça essa lógica em todo o país. Mas, em Santa Catarina, ela encontra um terreno já consolidado. Aqui, a integração entre universidade e comunidade não começou agora ela faz parte da identidade das instituições.

Esse histórico explica por que os projetos desenvolvidos pelas universidades comunitárias alcançam resultados tão consistentes. São iniciativas que muitas vezes se tornam referência, não apenas pelo reconhecimento em premiações, mas principalmente pelo impacto direto na vida das pessoas.

O desafio daqui para frente é seguir avançando. Ampliar o alcance, fortalecer parcerias, incorporar novas tecnologias e, sobretudo, continuar mantendo aquilo que sempre foi o maior diferencial: a proximidade com a comunidade.

Porque é justamente dessa relação próxima, contínua e comprometida, que nasce a verdadeira transformação.

Marcia Sardá Espíndola, reitora da Universidade Regional de Blumenau (FURB), é presidente da Acafe

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